Quando o assunto é acompanhar cada passo das pessoas – ou “aplicativos de localização-consciente”, se você quer parecer menos assustador – nada bate os crachás das conferências de hackers.

Nesse ano, os crachás AMD dos participantes da HOPE atingiram novos níveis, e deram pistas sobre como você pode usar o RFID conectado às pessoas – para o lado bom e para o lado ruim.



"Esse crachá sabe para quais debates você foi. Sabe com quem você conversa. Sabe em que locais da conferência você foi. Sabe quando você esteve lá”, diz Rob Zinkov, da equipe de criação dos crachás da HOPE.

O crachá da HOPE foi criado para ser hackeado e permitir aos usuários modificarem o firmware. “É realmente intrigante para as pessoas tanto no hardware quanto no software”, disse Zinkov. O crachá básico é um RFID ativo que pode relatar dados e ler outros RFIDs ativados em até 18 metros de distância, tudo dentro de um pequeno modelo com código completamente aberto. Ele tem uma pequena pitada de memória que permite anotar números de identificação de outros crachás, e oito sensores que o usuário pode apertar com um dedo.

O participante Adam Mayer hackeou seu crachá para permiti-lo roubar a identidade de qualquer pessoa relatada em seu modelo, para poder dar algumas voltas com ela, antes de roubar sua próxima identidade.

"Esse crachá funciona em vários níveis”, diz Aestetix, chefe de projeto com cabelo espetado do os crachás AMD. Ele permite que o usuário veja o que despertou interesse em outros hackers em debates similares, e encontrar amigos. “Por outro lado, nós usaremos o que aprendemos aqui para aplicar na próxima conferência.” Aestetix faz uma pausa, e sorri. “Há também a grande questão da privacidade. Nós temos um sistema que sabe exatamente onde você está durante todo o tempo.”

A enorme produção de crachás para conferências de hackers começou com o desafio da Defcon de hackear o crachá do evento, que geralmente envolve uma placa de circuito e muita imaginação. (No último ano, a disputa final incluiu um contador Geiger embutido e o uso de três crachás para comandar um dirigível robô – e esses dois não ganharam o prêmio.)

Outro pai do crachá da HOPE foi o experimento Sputnik durante a 23ª Chaos Computer Congress em Berlim, em 2006, onde cerca de 1.000 participantes vestiram crachás com RFID que reportaram informações para 35 estações durante a conferência, marcando o movimento de cada pessoa. Os criadores do Sputnik mapearam os movimentos dos participantes e os colocaram em vários monitores gigantes.

A HOPE foi muito além, adicionando a possibilidade de hackear o hardware e até um site. Eles queriam juntar o software de aplicaç˜åo com um firmware e com visualização de dados. A equipe de crachás da HOPE conectou os crachás identificados em uma rede social, permitindo novas amizades, opção de preferências de debates de cada usuário, e permitindo os participantes enviar informações do mundo real, como sites pessoais.

"É como uma perpetuação em fase alfa”, diz Aestetix. Eles tentaram colocar tanta informação em cada crachá das HOPE anteriores que eles nunca funcionaram muito bem, e isso se estende tanto quando os hackers os usavam nos debates quanto aos hackers que recebiam o crachá. O processo de criação do novo crachá foi de praticamente um ano.

Zinkov usou as informações pessoais dos usuários na rede social para criar uma rede com seus sites e criar uma base de dados ainda maior sobre todos. Agora eles estão criando sistemas de visualização e mapas dos dados com correlações de atividade. E qualquer um pode participar da brincadeira. Um torrent de 8GB de toda a informação coletada está disponível para o público. (No ano passado, o arquivo das informações tinha apenas 20MB.)

O evento Hackers on Planet Earth (HOPE) é um encontro com mais de 2.600 participantes que acontece de dois em dois anos em Nova Iorque. A conferência envolve debates como a expansão dos hackers entre o software e o hardware, discussões sobre a sociedade, comida e até sexo. Quinn Norton está cobrindo o evento direto do local.