No início do mês, a sonda Hayabusa2 usou um explosivo para criar uma cratera artificial no asteroide Ryugu, mas ela não conseguiu ficar por perto para confirmar o trabalho por medo de ser danificada pelos detritos. A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) agora confirmou a cratera artificial, mas não é exatamente o que eles esperavam.

Nesta quinta-feira (25), enquanto voava a uma altitude de 1.700 metros acima do asteroide Ryugu, a sonda Hayabusa2 usou sua câmera de navegação óptica (ONC-T) para confirmar a presença de uma larga cratera artificial na superfície. Dada a composição rochosa da área, os cientistas da JAXA estavam esperando algo pequeno. Portanto, o teste já mostrou algo novo sobre este asteroide e como ele se formou.

Em 5 de abril, a Hayabusa2 usou um explosivo para destruir uma cratera na superfície do Ryugu. Imagens tiradas pela sonda mostram o dispositivo explosivo, aproximadamente do tamanho de uma bola de beisebol, descendo lentamente para a superfície. A JAXA, temerosa de que a sonda fosse danificada pelos escombros, a escondeu numa área do asteroide por duas semanas, enquanto a poeira se assentava lentamente no ambiente de baixa gravidade. Com a Hayabusa2 fora de perigo, no entanto, a agência japonesa não conseguiu confirmar a presença de uma cratera artificial ou seu tamanho.

Para provar que a Hayabusa2 cumpriu sua tarefa, a JAXA fez uma sonda voar sobre o local em 23 de abril. As imagens coletadas por ela permitiram que a agência espacial confirmasse o buraco. “Conseguimos determinar que a colisão do dispositivo gerou a cratera”, disse a JAXA em um comunicado de imprensa. Com essa confirmação, a Hayabusa2 está agora retornando à sua posição de origem, aproximadamente a 20 km da superfície.

Mapa do asteroide RyuguPonto em vermelho mostra local em que foi feita a cratera artificial. Crédito: JAXA

“Criar uma cratera artificial com um impacto no espaço e observar os detalhes posteriormente é algo que nunca foi feito”, disse Yuichi Tsuda, gerente de projeto da Hayabusa2, enquanto falava com jornalistas, conforme relatado pela AFP. “Este é um grande sucesso.”

A Deep Impact, da NASA, fez uma cratera artificial no cometa Tempel 1 em 4 de julho de 2005. A diferença neste caso é que a Hayabus2 tentará extrair materiais de dentro da cratera, enquanto a Deep Impact tinha apenas como objetivo fazer observações.

O dispositivo explosivo da Hayabusa2 deveria ter precipitado o material do interior do asteroide, que forneceria novas percepções sobre a formação de asteroides e de outros objetos celestiais no Sistema Solar. No início da missão, a sonda recolheu material do topo da superfície do asteroide. Se tudo der certo, a sonda voltará à Terra com suas amostras — tanto da superfície quanto da subsuperfície — no final de 2020.

Continuando a missão, e após avaliar uma área alvo na superfície, cientistas da JAXA esperavam uma cratera artificial com diâmetro entre 2 e 3 metros. Inesperadamente, no entanto, a nova cratera parece ter cerca de dez metros de diâmetro, com uma área total afetada de 20 metros. Conforme apontado pela AFP, esperava-se uma superfície arenosa e solta, mas a região-alvo era rochosa e repleta de pedras.

“O tamanho e a forma exatos da cratera artificial formada irão ser analisados detalhadamente, mas é possível ver pela topografia que a área de 20 metros de largura está mudando”, disse a JAXA em um tuíte. “Não achávamos que tal mudança ocorreria, então houve um debate acalorado sobre o projeto. Parece que teremos novos avanços na ciência planetária.”

Masahiko Arakawa, professor da Universidade de Kobe que trabalha no projeto, disse que a “superfície é cheia de pedras, mas ainda assim criamos uma cratera bem grande”, noticiou a AFP. “Isso pode significar que há um mecanismo científico que não conhecemos ou algo especial sobre os materiais do asteroide Ryugu.”

A JAXA continuará estudando as fotos captadas pela Hayabusa2 nos próximos dias para saber mais sobre a nova cratera e refinar sua estimativa. Na sequência, a agência espacial direcionará a sonda para coletar materiais de dentro da cratera, no que sem sombra de dúvidas será uma operação delicada que exige muita precisão — mas uma ação que será mais fácil pelo inesperado tamanho do buraco que foi feito.