Companhias como a Meta, Microsoft, Epic Games e Nvidia são algumas das gigantes de tecnologia que vêm investindo pesado para sair na frente e inaugurar de vez a era do metaverso. Só que, como toda ideia disruptiva envolvendo internet, dados e vivência online, a criação desse ambiente digital vem despertando uma série de dilemas éticos.

Uma dessas questões diz respeito à moderação de conteúdo no metaverso. O temor de especialistas é que o foco fique apenas na parte lúdica e inovadora, prometida pelas big techs, e que conteúdo sensível ou impróprio seja facilmente acessado por menores de idade.

Uma investigação feita pela BBC nas plataformas do metaverso que já estão online, constatou um fato preocupante. Menores de idade que acessam esses serviços podem ser alvo de aliciamento, veiculação de material sexual, ofensas racistas e até mesmo ameaças de estupro.

É o que prova uma investigação da pesquisadora Jess Sherwood, que presenciou violações do tipo ao se passar por uma jovem usuária de 13 anos durante um experimento que conduziu em um dos aplicativos do metaverso.

A Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC), dos EUA, afirmou à BBC que alguns apps do metaverso são nocivos e que a investigação conduzida pelo veículo britânico revela essa combinação tóxica a que os menores por vezes são expostos.

O VRChat, por exemplo, oferece diversas salas de bate-papo online inspiradas em locais do mundo real, e que vão de redes de fast food a clubes de strip tease. As crianças têm fácil acesso a esses conteúdos e acabam expostas a adultos mal intencionados.

Catherine Allen, que chefia a consultoria Limina Immersive, disse à reportagem que prepara um relatório sobre realidade virtual para o Instituto de Engenharia e Tecnologia (IET). Ela descreveu uma situação que testemunhou após encontrar uma menina de 7 anos de app. Momentos após o encontro, ambas foram cercadas por um grupo de homens que ameaçaram estuprá-las.

Allen afirma que o metaverso pode proporcionar experiências positivas e divertidas, mas que, no atual estágio, também é capaz de proporcionar experiências assustadoras e perturbadoras.

Resta saber se as gigantes da tecnologia irão anunciar medidas e focar no desenvolvimento de ferramentas para conter este tipo de situação ou vão apenas vão focar na parte de vender “experiências únicas”. Afinal, a integridade e a experiência dos usuários dessas plataformas, principalmente dos menores de idade, depende disso.