Cientistas marinhos a bordo do E/V Nautilus, um navio de pesquisa que espreita o alto mar em busca de descobertas oceânicas, depararam com os raros restos esqueléticos de uma baleia de cinco metros de comprimento. Com pedaços de carne ainda presos aos ossos, a baleia morta atraiu uma variedade de criaturas estranhas do mar, incluindo vermes, polvos e enguias. Ainda mais legal, eles transmitiram ao vivo esse banquete.

Praticamente nada é desperdiçado na natureza. Quando uma grande baleia morre e cai no fundo do mar, por exemplo, sua carcaça se torna um verdadeiro banquete para as diversas criaturas do mar que buscam uma refeição rápida. Mas quando as baleias caem abaixo de 1.000 metros, elas entram em um ambiente completamente estranho – sem luz, intensa pressão da água e praticamente sem oxigênio. Nessas regiões, a carcaça é exposta a uma variedade de criaturas marinhas especialmente adaptadas para viver – e encontrar comida – nessas profundidades extremas.

Imagem: E/V Nautilus

Uma dessas baleias foi descoberta na quarta-feira (16) por pesquisadores a bordo do Nautilus. A embarcação é operada pelo Ocean Exploration Trust e frequentemente transmite ao vivo veículos operados por controle remoto, com comentários dos cientistas. A equipe estava finalizando o trabalho exploratório no Santuário Marinho Nacional de Monterey Bay, na costa da Califórnia, quando se deparou com a carcaça a uma profundidade de 3.200 metros. A baleia está localizada perto do Davidson Seamount, no Oceano Pacífico.

A câmera a bordo do veículo operado remotamente capturou imagens incrivelmente nítidas do esqueleto, que está sendo vasculhado por inúmeras criaturas marinhas, incluindo vermes comedores de ossos, enguias, crustáceos, como caranguejos e lagostas, antropoides e polvos.

Ainda há muito tecido carnoso nos ossos da baleia e, com base nisso, os pesquisadores estimam que ela provavelmente morreu há quatro meses. Os pesquisadores também afirmam, olhando para sua orientação, que ela está deitada de costas.

A espécie exata da baleia ainda não foi determinada, mas os pesquisadores suspeitam que seja uma baleia-cinzenta ou uma minke. Se for uma baleia-cinzenta, a equipe gostaria muito de saber se o seu desaparecimento teve algo a ver com o recente evento de mortalidade de baleias-cinzentas do Pacífico, que os cientistas pensam estar sendo causado pelo menor acesso aos recursos alimentares.

Um polvo agarrado ao esqueleto. As partes esverdeadas do osso são vermes que comem ossos. Imagem: E/V Nautilus

Outra possibilidade é que a baleia tenha sido morta por um navio que passava, embora os pesquisadores a bordo do Nautilus não tenham identificado rachaduras ou outros sinais de trauma. Usando o ROV (sigla em inglês para “veículo operado remotamente”), os pesquisadores estão coletando amostras para um estudo mais aprofundado. É provável que eles prestem atenção especial à barbatana, à mandíbula e a outros aspectos da anatomia deteriorada e destruída da baleia.

Polvos e enguias se alimentando da carcaça. Imagem: E/V Nautilus

A equipe disponibilizará essas amostras para outros pesquisadores. Alguns cientistas, por exemplo, gostariam de estudar a quantidade de oxigênio disponível nessa água, pois os restos de animais demoram mais para se decompor em ambientes com pouco oxigênio. As amostras também podem lançar uma nova luz sobre os vermes devoradores de ossos e os tipos de nutrientes que eles são capazes de extrair do esqueleto.

Enquanto a baleia morta é claramente o que mais interessa às criaturas do fundo do mar, pelo menos uma delas também achou o veículo de operação remota interessante. Um dos polvos decidiu pegar uma carona.