Fora de testes clínicos e agora no mundo real, vacinas de COVID-19 estão muito promissoras

Com mais pessoas sendo imunizadas, as vacinas agora mostram sua verdadeira eficácia e segurança no cotidiano geral.

Imagem: Mark Felix/AFP (Getty Images)

Imagem: Mark Felix/AFP (Getty Images)

As vacinas de COVID-19 começaram a ser disponibilizadas para o público em geral há cerca de dois meses, embora muito poucas pessoas tenham sido vacinadas. Mas agora que esses imunizantes estão de fato no mundo real e não apenas em um grupo fechado de milhares de pessoas, dados preliminares dessa eficácia estão mais encorajadores. É o que aponta novos relatórios do Reino Unido e de Israel, que sugerem que essas vacinas são realmente seguras e altamente eficazes na prevenção do novo coronavírus.

Na última sexta-feira (5), a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido (MHRA), órgão equivalente à nossa Anvisa, divulgou um relatório resumindo os dados de segurança disponíveis das vacinas da Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca – esta última já sendo aplicada aqui no Brasil. O estudo vai até o último dia 24 de janeiro, quando estima-se que cerca de 7 milhões de residentes do Reino Unido receberam pelo menos uma dose de qualquer uma das vacinas, e meio milhão já tiveram as duas doses aplicadas.

O Reino Unido monitora potenciais problemas de saúde de um novo medicamento ou vacina por meio de um sistema de notificação voluntária que médicos e pacientes podem usar. Este sistema, baseado em um cartão amarelo, não é perfeito. Isso ocorre principalmente porque nem todos os relatórios serão evidências de um verdadeiro efeito colateral causado por um tratamento, já que alguns sintomas posteriores são apenas uma coincidência (esse é um dos motivos pelos quais ensaios clínicos controlados são usados ​​para aprovar um novo medicamento). Ainda assim, eles podem fornecer evidências precoces de efeitos colaterais que podem ter passado despercebidos durante os ensaios clínicos ou simplesmente confirmar as descobertas observadas nesses ensaios.

Resumindo: por mais que os testes clínicos tenham apontado segurança e eficácia das vacinas, é agora que elas estão sendo aplicadas no mundo real (ou seja, com milhões de pessoas) que cientistas poderão verificar o nível de proteção real desses imunizantes.

No geral, a agência de saúde britânica não encontrou nada incomum sobre os dados de segurança que coletou até o momento. A maioria dos relatórios era sobre sintomas leves e temporários no local da injeção, como dor e coceira, ou efeitos mais leves, como dor de cabeça, calafrios, fadiga e náusea – exatamente como os dados do ensaio clínico mostraram. Houve alguns relatos de reações alérgicas graves, principalmente à vacina Pfizer/BioNTech, mas parecem ser casos extremamente raros. O Reino Unido e outros países agora aconselham que pessoas com histórico de alergia grave a qualquer ingrediente da vacina devem evitá-lo por enquanto. Além disso, agora é padrão os pacientes esperarem por 15 minutos nas proximidades do local onde recebeu a vacina, caso haja necessidade de internação imediata.

A agência reguladora britânica também não encontrou nenhuma evidência de um risco aumentado de paralisia de Bell, uma paralisia facial temporária, após a vacinação (alguns dados de ensaios clínicos sugeriram isso como um possível risco). E embora algumas pessoas tenham morrido após a vacinação, a MHRA não encontrou evidências até o momento de que as vacinas tenham interferência nessas mortes.

“Com base na experiência atual, os benefícios esperados de ambas as vacinas na prevenção contra COVID-19 e suas complicações graves superam em muito quaisquer efeitos colaterais conhecidos”, concluiu a MHRA.

Dados divulgados por Israel, um país elogiado por seu lançamento robusto de vacinas, também mostram um quadro brilhante. A taxa diária de novos casos no país está diminuindo, e isso está parcialmente ligado ao aumento das taxas de vacinação.. É importante ressaltar que a taxa de novos casos e hospitalizações caiu mais em pessoas com mais de 60 anos do que em pacientes mais jovens. Como os israelenses mais velhos foram os primeiros a serem vacinados, isso implica ainda mais no papel da vacinação na redução dos casos. No geral, estima-se que cerca de 37% dos israelenses receberam pelo menos uma dose da vacina, enquanto 21% receberam as duas doses completas. É o país com a maior taxa de cobertura de vacinação no mundo.

Claro que ainda estamos longe de chegar a um patamar seguro e próximo da nossa vida normal de antes da pandemia. O Brasil iniciou a vacinação em janeiro e, até o último dia 5 de fevereiro, vacinou pouco mais de 3 milhões de vacinados.

Em termos gerais, há razões para se sentir otimista de que o pior da pandemia ficará para trás mais cedo ou mais tarde, em grande parte graças a essas vacinas.

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