Ciência

Dieta cetogênica pode acelerar envelhecimento do organismo

Estudo em ratos de laboratório mostra relação entre dieta cetogênica e aumento precoce de células velhas no corpo
Imagem: Jenna Hamra/ Pexels/ Reprodução

Em estudo publicado na revista Science Advances, pesquisadores dos Estados Unidos descrevem os efeitos da dieta cetogênica — com alta gordura e baixo carboidrato — em ratos de laboratório. As descobertas sugerem que a dieta cetogênica pode acelerar o envelhecimento dos órgãos. 

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Isso porque os pesquisadores encontraram um número maior de células senescentes nos animais que seguiram a alimentação proposta pela dieta cetogênica. Em geral, a senescência é o envelhecimento das células.

Ela acontece quando o tecido para de funcionar e, em vez de morrer, entra em um estado nulo – algo como um zumbi das células. Contudo, essas estruturas velhas permanecem nos tecidos, liberando toxinas que aumentam a inflamação.

Isso, por sua vez, aumentaria o risco de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas, câncer e diabetes tipo 2.

O que é a dieta cetogênica

O princípio da dieta cetogênica é forçar o organismo a usar um tipo diferente de combustível: em vez do açúcar, que vem dos carboidratos, ela propõe que o corpo dependa de corpos cetônicos. Essas estruturas são produzidas no fígado a partir da gordura armazenada.

Contudo, isso não é fácil. Para que o fígado produza os corpos cetônicos, é necessário se privar de carboidratos. O ideal é comer algo entre 20 e 50 gramas de carboidratos por dia. Em geral, uma banana de tamanho médio contém cerca de 27 gramas desse tipo de nutriente.

Além disso, a ingestão excessiva de proteínas também pode atrapalhar o processo, que demora uns dias para acontecer.

Para seguir uma dieta cetogênica, uma pessoa deve aumentar a ingestão de gorduras por meio de alimentos como nozes (amêndoas, castanhas, entre outras), sementes, abacate, tofu e azeite. Contudo, as gorduras saturadas também são incentivadas em grande quantidade neste tipo de alimentação.

Elas englobam ingredientes como óleo de palma, banha e manteiga, que não são consideradas como benéficas à saúde, especialmente em um alto consumo. Além disso, por sugerir a redução de carboidratos, a dieta cetogênica limita bastante o consumo de frutas e vegetais, que são ricos nesse nutriente.

Dessa forma, pessoas que seguem este tipo de alimentação dão preferência a pequenas porções de frutas vermelhas e vegetais de folhas verdes, como couve, acelga e espinafre.

Entenda a nova pesquisa

Durante três semanas, pesquisadores da Universidade do Texas alimentaram seis ratos de laboratório com uma dieta cetogênica. No total, 90% de suas calorias vinham de gorduras e menos de 1% de carboidratos – o que é uma dieta quase impossível para um ser humano seguir, segundo especialistas que não estiveram envolvidos no estudo.

Além deles, os pesquisadores também acompanharam outro grupo de ratos de laboratório que se alimentaram com uma dieta padrão. Nesse caso, 17% das calorias vinham de gorduras e 58% de carboidratos.

Então, os cientistas analisaram amostras de tecido do coração, rim, fígado e cérebro dos animais. Como resultado, descobriram que os ratos que seguiram a dieta cetogênica tinham mais células senescentes em seus órgãos em comparação com aqueles em uma dieta padrão.

E essa diferença é bastante significativa. Em geral, seus rins continham quatro vezes mais quantidade de um marcador de envelhecimento celular, em média.

No percurso contrário, quando os pesquisadores submeteram novamente esses ratos a uma dieta padrão, o número de células velhas diminuiu. 

Embora mais investigações sejam necessárias, os pesquisadores afirmam que o estudo evidencia que é preciso pesquisar o tema de forma mais rigorosa. 

No entanto, além do risco de envelhecimento do organismo, outras pesquisas apontam que a dieta cetogênica pode resultar na deficiência de nutrientes e em problemas no fígado.

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Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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