Meu primeiro blog não foi um blog. Foi um site porcamente criado com técnicas capengas de HTML 4.01 e hospedado no hpG. Por muito tempo ele só recebeu atualizações nos fins de semana e nas madrugadas de quarta-feira, quanto antecipadamente “matava” a aula de quinta de manhã para, após a meia-noite, aproveitar o pulso único da conexão dial-up para escrever alguma coisinha e abastecer os cinco leitores regulares com novidades já não tão novas, afinal.

Alguns anos mais tarde, aí sim ele virou um blog de verdade. Começou a receber mais visitas, centenas, milhares. Depois, fruto dum tal de AdSense que tinha colocado ali para mostrar links legais para meus leitores, começaram a pingar uns trocados em minha conta ao fim de cada mês. E um pouquinho mais tarde, uns trocados bem legais. Mas não só. Esse blog também abriu portas, me trouxe oportunidades de emprego maravilhosas, ótimos amigos virtuais e reais e algum reconhecimento. Pequeno, mas que considero pra caramba.

Calma, esse texto é sobre o Gizmodo. Achei interessante citar minha trajetória com o WinAjuda, que hoje já não está mais nas minhas mãos, por ele ter tido uma gênese absolutamente diferente da do Gizmodo. Qual é melhor? Qual é pior? Não cabe aqui tentar responder, nem interessa no contexto. O que interessa é que, independente do caminho percorrido, paixão e persistência são os ingredientes básicos para conseguir leitores e transformá-los numa comunidade ativa e saudável.

Quando, há dois anos, surgiu o burburinho de que o grande Gizmodo ganharia uma versão tupiniquim, fiquei boquiaberto. Naquele tempo, blogs do tipo, com empresas por trás e estrutura digna de empresas “convencionais” era algo bem longe da minha realidade — e da de muitos outros também, acho eu. Como isso funcionaria? O que poderíamos esperar?

Felizmente, as expectativas foram atingidas, quiçá superadas, e ganhamos mais um blog super bacana de tecnologia para acompanhar. Hoje são tantos, todos com suas bases de leitores fiéis e, por que não, em parte compartilhadas. Porque, cá entre nós, esse negócio de rivalidade de blogs é tão retrô…

Como leitor do Gizmodo, me agrada muitíssimo o conteúdo localizado que o Pedro e sua equipe produzem e que nos traz informações mais próximas da nossa realidade. Mais importante do que saber do lançamento do Droid X nos Estados Unidos, é ver como fica a questão do Froyo no Milestone verde e amarelo, não? As traduções da versão americana, realizadas entre outros pelo amigo e sócio de blog Fabio Bracht são impecáveis e também merecem destaque, especialmente para aqueles que ainda não dominam o vernáculo do tio Sam. De modo geral, o conteúdo variado do Gizmodo original é, na versão brasileira, não apenas mantido, mas temperado com aquele toque brasileiro que gera tamanha identificação com o público que passa por aqui todos os dias.

Defendo a ideia de que quanto mais blogs de qualidade tratando um assunto, mais esse nicho se desenvolve. Os blogs de tecnologia, capitaneados por Gizmodo BR, Meio Bit, Tecnoblog, Google Discovery e outros que minha memória falha em lembrar agora, demonstram isso claramente. E é por essas e outras que desejo muitas felicidades, muito trabalho e muita diversão para a equipe e leitores do Gizmodo BR. Parabéns, nós merecemos!

* Rodrigo Ghedin, 23 anos, nasceu e se esconde no interior do Paraná, onde todo mundo puxa o “R” e (ainda) não existe engarrafamento. Trabalha como editor dos blogs Meio Bit e WinAjuda, e colaborador fixo da Revista Oficial do Windows, da editora Digerati. É graduado em Direito (não praticante) e, atualmente, encara a longa jornada da segunda graduação, dessa vez em Sistemas de Informação. Além de escrever, profissionalmente e por prazer (nesse caso, no Continue » e no Kindinho), não dispensa uma boa leitura, filmes dos mais variados estilos e juntar os amigos para uma boa sessão de games, de preferência algum de futebol, nos quais, modéstia à parte, ele se garante.