Cientistas no Canadá disseram ter encontrado uma nova maneira de tratar a intoxicação por álcool com potencial de risco de vida — ajudando as pessoas a literalmente expirar o álcool que está seu sistema. Em um pequeno estudo piloto, eles descobriram que seu dispositivo, projetado para permitir que pacientes hiperventilem com segurança, é capaz de acelerar a eliminação de álcool de voluntários saudáveis ​​três vezes mais rápido.

Normalmente, as toxinas como o álcool são decompostas em grande parte pelo fígado. O fígado pode acabar muito castigado, mas a taxa de metabolização do álcool é constante, o que significa que você não pode acelerar o processo nos momentos em que a quantidade de álcool no corpo é suficiente para ser fatal ou seriamente prejudicial.

Na maioria das vezes, tudo o que os médicos podem fazer quando alguém desmaia é garantir que a respiração e as funções do corpo estejam estáveis ​​até que o fígado termine o seu trabalho.

“O método é tão simples e óbvio que, mesmo olhando para ele, ninguém reconhece seu potencial.”

Mas os pulmões também desempenham um pequeno papel na eliminação natural do álcool de nosso corpo, algo que você provavelmente notou ao sentir o cheiro de bebida no hálito de alguém. Isso acontece quando o sangue saturado de álcool chega aos pulmões para ser reabastecido com oxigênio fresco. Parte do álcool do sangue é então exalado junto com o dióxido de carbono.

Esse processo pode ser acelerado por meio da hiperventilação ou do ato de respirar rapidamente. O problema é que, quando hiperventilamos, também perdemos muito dióxido de carbono. Para impedir que isso aconteça, nosso corpo evoluiu para nos deixar seriamente desconfortáveis ​​ou até mesmo perder a consciência quando hiperventilamos por muito tempo (é por isso que alguém visivelmente em pânico pode desmaiar).

De acordo com o autor do estudo e inventor Joseph Fisher, o dispositivo encontrou uma maneira de interromper esse gatilho e, ao mesmo tempo, manter a pessoa segura. O paciente é equipado com uma máscara de gás, que se conecta a um suprimento de oxigênio e dióxido de carbono. A mistura de gases inspirada faz com que a pessoa hiperventile, enquanto o dispositivo devolve dióxido de carbono suficiente para que o corpo não surte.

“A cada respiração, ele é projetado para permitir que a quantidade normal de dióxido de carbono escape e qualquer excesso seja devolvido na respiração seguinte”, disse Fisher, um anestesiologista e pesquisador sênior da University Health Network em Toronto, por e-mail. “Tudo isso é feito de maneira simples por uma válvula mecânica, por isso é à prova de falhas — sem a necessidade de eletrônicos ou computadores.”

Para testar o dispositivo, Fisher e sua equipe recrutaram cinco voluntários saudáveis ​​e disseram-lhes para ficarem levemente intoxicados (a bebida escolhida era geralmente 250 mililitros de vodca com 40% de teor alcoólico misturada com 500 mililitros de água).

Em uma série de experimentos conduzidos ao longo de dois dias, eles foram monitorados tanto ao ficarem sóbrios naturalmente quanto ao usar o dispositivo por até meia hora. Seu nível de álcool foi medido por meio de bafômetro e amostras de sangue coletadas durante o experimento.

Em comparação com o método natural, os voluntários pareceram ficar sóbrios três vezes mais rápido ao usar o dispositivo de respiração.

As descobertas da equipe foram publicadas na Scientific Reports na quinta-feira da semana passada (12).

Embora a amostra do estudo seja muito pequena, o que significa que seus resultados devem ser vistos com algum cuidado, o dispositivo em si já foi testado antes. No ano passado, a empresa cofundada por Fisher, Thornhill Medical, obteve aprovação de marketing da Food and Drug Administration para o dispositivo (com a marca ClearMate) a ser usado em salas de emergência nos Estados Unidos como tratamento para envenenamento por monóxido de carbono.

Fisher diz que o mesmo dispositivo pode ser usado para tratar ambas as condições, bem como outras no futuro, incluindo formas mais tóxicas de envenenamento por álcool, como em pessoas que ingeriram produtos de limpeza de para-brisa (metanol) ou bebidas falsificadas (polietilenoglicol).

De acordo com Fisher, o fato básico de que nossos pulmões ajudam a remover o álcool de nossos corpos é conhecido há quase um século. Mas ele não sabe ao certo por que ninguém até agora pensou em explorar esse processo.

“O método é tão simples e óbvio que, mesmo olhando para ele, ninguém reconhece seu potencial”, disse ele. “Estava bem na nossa frente. Eu não sei mais como explicar.”

Embora este dispositivo possa ser usado com segurança por alguém com intoxicação por álcool que esteja consciente, ele pode ser ainda mais promissor para pessoas desmaiadas, ao mesmo tempo em que pode ser operado com segurança por profissionais de saúde.

“Quanto maior a concentração de álcool no sangue, mais eficaz é o método”, disse Fisher. “Se o paciente estiver inconsciente, um tubo pode ser colocado nos pulmões para proteger a respiração do paciente e o método pode ser aplicado manualmente.”

Embora o dispositivo ClearMate tenha obtido a aprovação da FDA para envenenamento por monóxido de carbono, mais dados serão necessários para que ele seja aceito como um tratamento para intoxicação por álcool. Para isso, Fisher e sua equipe esperam que outros pesquisadores estejam dispostos a testar o dispositivo em ambientes do mundo real, como salas de emergência e unidades de terapia intensiva, e publicar suas próprias descobertas.