Ciência

Doença dos cervos zumbis se espalha e ameaça humanos

Cientistas confirmaram mais de 800 amostras de animais infectados pela doença dos cervos zumbis na América do Norte
Imagem: Yuya Yoshioka/ Unsplash/ Reprodução

Cervos que vivem na América do Norte estão sob uma ameaça de nome peculiar, mas bastante perigosa. Chamada de doença dos cervos zumbis, ela afeta o cérebro dos animais e causa sintomas como perda de peso, olhar vago, salivação, letargia e tropeços em excesso.

Até agora, mais de 800 amostras infectadas de cervos e alces já foram encontradas apenas no estado americano de Wyoming. A condição também já foi identificada na Noruega em 2016, momento que marcou a descoberta dos primeiros casos na Europa.

Sobre a doença do cervo zumbi

Até agora, pesquisadores sabem que a doença do cervo zumbi é causada por príons. Não se trata de vírus nem bactérias, mas sim partículas de proteínas infecciosas, transmitidas por fluídos como a saliva, urina e sangue, por exemplo.

Com um formato como uma proteína mal dobrada, faz com que as células normais do cérebro também se dobrem, o que leva à degeneração neurológica. De acordo com registros, costuma afetar mais os cervos, alces e também as renas.

No entanto, um animal infectado tende a levar um ano até desenvolver os sintomas – alguns deles morrem antes de apresentar sinais.

Segundo especialistas, mais pesquisas são necessárias para entender melhor a dinâmica de transmissão da doença, seus efeitos ecológicos e as possíveis implicações para a saúde humana.

Risco à saúde humana?

Por enquanto, não há casos confirmados da doença do cervo zumbi em humanos. Contudo, recentemente pesquisadores descobriram que, em condições laboratoriais, os príons responsáveis pela condição também são capazes de infectar células humanas.

Dessa forma, a possibilidade de contágio permanece como um ponto de preocupação. Especialmente na região do surto, em que costuma-se caçar e consumir cervos. Há, inclusive, registros de que algo entre sete mil e 15 mil animais infectados foram ingeridos anualmente por humanos em 2017.

Além disso, os príons são resistentes e persistem no ambiente por anos, contaminando solo e água. Por isso, especialistas alertam para a necessidade de esforços de intervenção precoce e contenção da doença do cervo zumbi.

Outras consequências

Especialistas se preocupam com os impactos da doença do cervo zumbi na região, uma vez que compromete a cadeia alimentar como um todo. Além disso, a condição também ameaça a atividade econômica da população local.

Dessa forma, os cuidados necessários para contenção da doença passam por aspectos que vão desde controle de movimento das populações desses animais até promoção de práticas de caça mais responsáveis.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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