Muito em breve, um simples exame de vista com ajuda da inteligência artificial será capaz de fornecer características para detectar a doença de Parkinson precocemente. Esse é o resultado de uma pesquisa recente apresentada na reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA).

A doença de Parkinson afeta progressivamente o sistema nervoso central. Normalmente, o diagnóstico é baseado em sintomas como tremores, rigidez muscular e limitações de equilíbrio. A progressão da doença é caracterizada pela deterioração das células nervosas nas paredes da retina, que é a camada de tecido que reveste a parte posterior do globo ocular.

O método consiste no seguinte: os pesquisadores implantaram um tipo de aprendizado de máquina chamada máquina de vetor de suporte (SVM), que existe desde 1989. A partir dessa metodologia, foram usadas fotos da parte de trás do olho de pacientes com Parkinson e pessoas sem a doença, para então treinar a SVM e detectar o que há de diferente entre os olhos analisados.

Os resultados indicaram que as redes de aprendizado de máquina podem classificar a doença de Parkinson com base na vasculatura da retina, sendo que as principais caraterísticas são os vasos sanguíneos menos visíveis.

De acordo com Maximillian Diaz, engenheiro biomédico estudante da Universidade da Flórida e principal autor do estudo, muitas mudanças na fisiologia do cérebro podem ser observadas através do olho. Ele também observa que abordagens tradicionais de imagem, como técnicas de ressonância magnética, tomografia computadorizada e medicina nuclear, podem ser muito caras, ao contrário do novo procedimento que usa SVM, que utiliza fotografia básica com equipamentos encontrados em clínicas de oftalmologia. Até a câmera de um smartphone poderia realizar essa captura.

“A descoberta mais importante deste estudo foi que uma doença cerebral foi diagnosticada com uma imagem básica do olho. É uma simples imagem do globo ocular, não leva mais do que um minuto. E o custo do equipamento é muito menor do que uma máquina de tomografia ou ressonância magnética. Se pudermos fazer isso com uma triagem anual, a esperança é que possamos detectar casos de Parkinson mais cedo, o que pode nos ajudar a entender melhor a doença e encontrar uma cura ou uma maneira de retardar a progressão”, afirmou Diaz.

O engenheiro também diz que o método pode ajudar na identificação de outras doenças que afetam a estrutura do cérebro, como Alzheimer e esclerose múltipla.

[EurekAlert!]