Não é segredo que a Apple está pensando no Apple Watch como um tipo de dispositivo de saúde. A companhia incluiu a funcionalidade de eletrocardiograma com aprovação da FDA (agência americana equivalente a Anvisa) no Series 4, e no Series 5 anunciou o lançamento de uma série de estudos médicos sobre audição, saúde reprodutiva, mobilidade e saúde do coração.

Agora, uma patente recém-lançada sugere que a Apple pode estar pensando em expandir as capacidades de rastreamento do relógio para incluir tremores associados com a doença de Parkinson.

A patente descreve o uso dos sensores do relógio, particularmente o acelerômetro e o giroscópio, para rastrear passivamente discinesia e tremores. (A discinesia é definida na patente como um “movimento incontrolável e involuntário que pode assemelhar-se a tremores, agitação, oscilação ou balanço.”)

Idealmente, a detecção dos sensores poderia dar ao usuário mais informações sobre seus sintomas, caso eles sejam piores em uma determinada hora do dia, por exemplo.

Isso poderia muito ser útil, já que a Apple observa que o tratamento atual para a doença de Parkinson depende muito da “precisão com que os médicos prescrevem e programam os medicamentos do paciente para minimizar os sintomas.”

Outra questão é que, no momento, o padrão clínico para o tratamento da doença de Parkinson depende do relato de sintomas pelos próprios pacientes aos médicos — um método que não é tão confiável quanto pode parecer.

A patente também observa que o rastreamento de tremores não precisam estar limitado aos smartwatches. “Em uma concretização”, diz a patente, “o sensor de movimento pode ser usado em um fone de ouvido ou em óculos (por exemplo, óculos inteligentes) para medir o deslocamento da cabeça do usuário”.

A referência aos óculos inteligentes é digna de nota, dadas as muitas patentes, rumores e relatórios que sugerem que a Apple pode lançar seu próprio headset de realidade aumentada em algum momento entre 2022 e 2023.

Como sempre, não é porque uma patente foi registrada que ela vai se tornar realidade em breve — é possível, inclusive, que essas ideias nem saiam do papel. Dito isto, é evidente que a Apple está interessada em expandir suas ofertas no campo da saúde.

Ainda assim, a tecnologia médica também é uma área arriscada. Para ser confiável para oferecer um diagnóstico de Parkinson, a Apple deve passar por uma série de testes e obter a aprovação ou autorização da FDA — como fez com o recurso de eletrocardiograma do Apple Watch Series 4. No entanto, obter essa aprovação pode ser um processo demorado que requer múltiplos estudos e ensaios clínicos.

[AppleInsider]