Por mais de meio século, Hollywood tem forçado os computadores a fazerem o que bem entendem. Rotineiramente supercomputadores, desktops e laptops mostrados na televisão e filmes ganham capacidades quase mágicas. Pura enganação! Eis aqui as 10 maiores mentiras que Hollywood conta sobre computadores para seu divertimento – e desprezo.

Veja a nossa seleção das mentiras mais ultrajantes que Los Angeles conta sobre computadores, e fale ai nos comentários o que você acha que ficou de fora.

Um computador irá explodir se tiver uma pergunta que ele não consiga responder.

De acordo com Hollywood, computadores são tão delicados que quando confrontados com uma pergunta que eles são incapazes de responder, eles irão explodir. Ninguém na história dos filmes sabe disso melhor do que William Shatner. Enquanto interpretava o capitão James T. Kirk, Shatner derrotou mais computadores malignos, androides e Inteligência Artificial com um conjunto de ordens contraditórias, paradoxos, e várias perguntas ilógicas sobre amor ou a condição humana do que você poderia ameaçar com uma Bat’leth.

Se computadores fossem realmente tão voláteis, seria incontável o número de mortes prematuras devido a perguntas que não tinham resposta feitas aos DVDs e versão web do Microsoft Encarta enquanto a enciclopédia estava no auge. O mesmo vale para o Wolfram Alpha: Eu não me lembro de nenhuma menção aos perigos de enviar alguma pergunta difícil para os servidores. O pior que pode acontecer é o seu computador travar, reiniciar, ou aparecer uma tela azul da morte. Certamente no último exemplo citado muitos usuários prefeririam ver uma explosão, mas infelizmente isso não vai acontecer.

 

Software de reconhecimento de voz funciona sempre – e com perfeição.

Apesar de softwares de reconhecimento de voz terem melhorado aos trancos e barrancos na última década, ele ainda é uma droga. Devido às muitas nuances da fala humana como dialetos variados, inflexão, e em alguns casos, dificuldades de dicção, muitas pessoas não conseguem sequer ditar um e-mail para o Outlook, que dirá controlar computadores verbalmente com alguma precisão ou confiabilidade.

Exceto, é claro, em Hollywood. Em 2001: uma Odisseia no Espaço, HAL pode abrir as portas sob o comando de Dave; Will Smith consegue ter uma conversa significativa com VIKI em Eu, Robô; e em Bladerunner, Deckard consegue instruir seu computador a manipular uma foto da cena do crime apenas dizendo algumas palavras. Pense bem: Quando foi a última vez que você murmurou ordens em um microfone para o GIMP ou Photoshop redimensionar as fotos que você tirou nas férias? Pois é. É verdade que supercomputadores modernos como o Watson da IBM tem capacidade de processar comandos de voz com bastante precisão, mas o hardware disponível para os consumidores estilo o que você está usando para ler isso não consegue fazer nada similar à maneira que Hollywood quer nos convencer de que ele faz. E isso é bem chato. Nós já estamos ficando meio cansados de digitar.

 

Qualquer imagem ou vídeo pode ser corrigido, aumentado e ficar perfeitamente nítido.

Já que entramos no assunto do Decker zoando com as fotos em Bladerunner, por que Hollywood é tão obcecada com representações tão inverossímeis de manipulação de imagens? Não importa quão granulada uma foto esteja, quão escuro esteja quando uma foto foi tirada, ou quão distante um fotógrafo esteja do que estiver enquadrando, qualquer imagem pode ser ampliada, melhorada e ficar perfeita para usar em um tribunal ou para procurar os bandidos na rua.

Roland Pryzbylewski, interpretado por Jim True-Frost faz isso com vídeo em A Escuta, Bryan Brown faz correções de imagem no filme F/X em 1986. CSI? É melhor nem começar a falar. A verdade é que não importa quão avançado seja o software, ou quão poderoso seja o computador que você estiver usando, o quão nítida uma imagem pode ficar – e quanto você pode aumenta-la sem fazer seus olhos sangrarem – é totalmente dependente da qualidade da imagem original que você está trabalhando. Em outras palavras, se você tiver uma foto com uma Cybershot D710, nenhum zoom e ajuste vai conseguir fazer com que ela pareça ter sido tirada com uma Sony a900.

 

Você pode usar o seu computador para interagir com hardware alienígena.

Esse aqui é dos bons: Em 1996, Jeff Goldblum e Will Smith embarcaram em uma missão heroica para entrar em uma nave-mãe alienígena que orbitava muito acima da terra. Uma vez lá dentro, Goldblum e seu fiel Apple Powerbook 5300 conseguiram enviar um vírus de computador projetado para desarmar os escudos de todas as naves conectadas à rede da nave mãe. Isso permitiu que as forças militares ao redor do mundo montassem um ataque contra os invasores alienígenas, salvando a humanidade do extermínio. E é por isso que os americanos celebram o Dia da Independência todo quatro de julho.

Não acredita? Tudo bem, a gente também não. Apesar da parte da invasão alienígena ser plausível (e nós gostaríamos de usar essa oportunidade para dar as boas-vindas aos nossos novos soberanos alienígenas), não dá pra acreditar nem um pouco na parte do Powerbook. Independence Day foi filmado em 1996. 15 anos depois, um pc com Windows não pode montar um drive formatado para Mac e ler o que está nele sem ajuda de algum software como o MacDrive 7, que dirá uma nave mãe. E também, como eles transferiram os arquivos? As naves alienígenas tinham portas seriais ou USB? Nós temos certeza que você irá concordar que tecnologias humanas e alienígenas simplesmente não se misturam.

 

Computação baseada em gestos é o futuro.

Em Minority Report, os oficiais da unidade pré-crime de Washington passam por imagens, mapas e vídeos usando uma interface espacial de sistema operacional. Com apenas alguns gestos decisivos e um par de luvas específico para a missão, os oficiais da pré-crime eram capazes de examinar os arquivos do caso ridiculamente rápido. Isso tudo parece muito high-tech, e bastante plausível. Como qualquer um com um Xbox Kinect, Playstation Move ou Nintendo Wii irá te dizer, a era da interface baseada em gestos já chegou. Mas fora dos jogos e da representação Hollywoodiana da mágica de apontar para o computador e tudo ficar pronto, existe também as limitações da indústria do sistema operacional espacial para levar em consideração.

Mas ter uma tecnologia como essa, aqui e agora, significa que ela irá substituir a interface primária de computação – um teclado e um mouse – que nós usamos por décadas? Certamente não. Como já mencionamos, software de reconhecimento de voz ainda está um pouco cru, e ainda estamos distante de tornar a tecnologia viável a ponto de substituir um teclado, quando se fala em gerar comunicação escrita. Não importa quão bacana seja passar pelos arquivos usando seus dedos, ainda é difícil ganhar da eficiência da scroll wheel.

 

Senhas são fáceis de adivinhar, burlar ou crackear.

É uma regra: Se você for um super vilão, oficial do governo ou qualquer outro indivíduo de caráter duvidoso com uma proporção gigantesca de informações importantes escondidas no seu computador, você OBRIGATORIAMENTE precisa escolher uma senha olhando ao redor no seu escritório para se inspirar. Em filmes como Watchmen, a segurança do computador do homem mais inteligente do mundo é burlada quando o Coruja nota alguns livros sobre Ramsés na mesa de Ozymandias, posicionados bem ao lado de seu computador. Em Quebra de Sigilo, Robert Redford e seu intrépido bando eram capazes de hackear qualquer sistema protegido por senha com a ajuda de um dispositivo altamente avançado que não era muito maior do que uma secretária eletrônica antiga.

Não importa quão fácil Hollywood faça parecer, passar por métodos modernos de criptografia, software de segurança, firewalls e senhas complexas não é fácil. Para cada Lulzsec ou Anonymous por aí, existem milhares de tentativas frustradas de hackers para burlar a segurança de um sistema, seja com boas ou más intenções. Nós podemos nem sempre concordar com os alvos dos hackers (alguém mais sentiu falta da PSN quando ela estava fora do ar?), mas você precisa dar a eles o devido crédito: segurança de computadores pode ser um osso duro de roer.

 

Hackear qualquer sistema é um processo que é feito na velocidade da luz por um hacker experiente, e uma vez que você consegue entrar, pode fazer qualquer coisa.

Se hackear fosse tão fácil quanto os roteiristas querem que a gente acredite que é, qualquer um seria capaz de fazê-lo. Gus Gorman é forçado a fazer esquemas para aumentar o pé de meia de seu chefe em Superman III, Stanley Jobson hackeia qualquer coisa que desejar enquanto xinga e dança como um idiota em A Senha: Swordfish. E David Lightman, interpretado por Matthew Broderick foi capaz de hackear um supercomputador NORAD em Jogos de Guerra para jogar xadrez, gamão, damas e quase explodir o planeta acidentalmente. Além disso, qualquer coisa que tenha fios elétricos é hackeável. Desde o motor de um taxi, aos computadores da estação espacial internacional, qualquer coisa do mundo pode ser hackeado por um universitário arrogante que mora no porão da casa da mãe, contanto que seu desktop tenha mais de quatro telas e um número excessivo de LEDs supérfluos.

Felizmente, a maioria das pessoas entende que isso simplesmente não é possível. Em um mundo onde administradores do sistema estão dispostos a derramar sangue se isso significar evitar que você acesse seu Gmail ou Facebook do computador do trabalho, a maioria das redes é altamente segura contra invasões e alterações – você não vai achar (quanto mais controlar) os gastos superfaturados da Copa hackeando a página do Ministério dos Esportes. Vitórias dos hackers são sofridas, apesar do que a televisão e roteiristas de filmes querem que você acredite. Poxa Hollywood, mostre algum respeito!

 

Em algum tempo, o computador irá se tornar autoconsciente.

De acordo com a história de Exterminador do Futuro, em 4 de agosto de 1997, Skynet, uma rede de computadores projetada pelo Cyberdyne Systems foi colocada online. Os militares americanos deram controle de todo o seu sistema integrado de computatores para a inteligência artificial da Skynet, incluindo o arsenal nuclear do país. E apenas vinte e cinco dias depois, a Skynet se tornou autoconsciente, e imediatamente começou a nos mandar de volta para a idade da pedra quando começou a ver-nos como uma ameaça. Matrix? Mesma coisa. As máquinas que construímos para faze o nosso trabalho pesado começaram a nos ver como um bando de donos de escravos preguiçosos e se uniram em nome da liberdade…e de uma bateria orgânica que durasse mais.

Se você olhar para o problema de se um sistema de computadores pode ou não ganhar vida e raciocínio próprios através das lentes dos filmes e da televisão, parece que com algum tempo e a motivação certa, seu desktop comum pode estar apenas a alguns passos de distancia de começar a pensar, e ter desejos de te esfaquear no olho enquanto você dorme. Felizmente, por enquanto, os limites do conhecimento coletivo em programação e hardware ainda agem como uma barreira para a inteligência artificial Hollywoodiana. Entretanto estima-se que dentro de duas décadas nós seremos capazes de desenvolver hardware tão avançado quanto o cérebro humano.

 

90% das pessoas do mundo usam um Mac.

Carrie em Sex and the City usava Powerbooks, e em alguns dos primeiros episódios de 24 horas, o hardware da Apple era um instrumento obrigatório se você estivesse lutando pelos Estados Unidos da América. Falando em lutar pelos EUA, quando foi a última vez que qualquer um viu Stephen Colbert usar um hardware (o escudo do Capitão América não conta), na televisão que não tivesse sido projetado em Cupertino?

Se Hollywood pudesse, eles nos fariam acreditar que com exceção de alguns terroristas e programadores, a maioria das pessoas da Terra que usam computadores estão usando Macbooks, iMacs e MacBook Pros. O fato é que se você está lendo isso e não está trocando ideias com os adoráveis geeks no Mac|Life agora mesmo, já ajuda a provar que esse mito é uma tremenda enganação. Sabe o que mais é ótimo para ilustrar o que queremos provar? Números: De acordo com o instituto de pesquisa IDV, Apple tem apenas 10,7% do mercado de computadores pessoais na América do Norte durante o segundo trimestre financeiro de 2011, colocando-os atrás da HP e da Dell (curiosidade: 13% das pessoas que acessam o Gizmodo Brasil o fazem através do Mac OS). Isso é bem diferente do que é retratado tanto na TV quanto nas telonas.

 

Das poucas pessoas que não usam um Mac, ninguém usa Windows ou qualquer produto do Microsoft Office. Ao invés disso, eles irão usar uma GUI customizada com uma fonte 72.

Se Hollywood estivesse certa, todos os usuários de computador – mesmo os 10% consistindo de terroristas, cyber cafés decadentes e departamentos de polícia no fim do mundo que estão relegados a usar algo que não seja um hardware da Apple – tem um sério problema de visão que os força a usar uma fonte ridiculamente grande o tempo inteiro. Apesar se ser um dos melhores programas na história da televisão, A Escuta peca nisso: Ao longo de seis temporadas, Lester senta a poucos centímetros do monitor de seu computador, e ainda assim insiste em ferrar seus olhos com uma fonte absolutamente gigantesca. Além disso, se um filme não mostra um hardware da Apple, ele também não vai mostrar um PC rodando qualquer software da Microsoft, porque todos os personagens parecem preferir trabalhar com uma Interface Gráfica de Usuário customizada, apesar altamente não intuitiva.

Apesar de ser fácil dizer que os produtores de filme e televisão odeiam o sistema operacional mais popular do planeta, existe uma resposta menos extrema aqui: Enquanto a maioria de nós pode digitar um e-mail usando uma fonte 14 sem nenhum desconforto, fontes pequenas são muito difíceis para ler na telona e na televisão, e pode deixar os telespectadores sem uma pista visual importante que foi feita para dar continuidade na história.

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