A febre do NFT continua a todo o vapor. E o último grande nome a entrar para a seleta lista de criadores das obras de artes virtuais é Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). Na última sexta-feira (16), ele leiloou uma peça original de token não fungível por cerca de US$ 5,4 milhões (R$ 30,1 milhões) em criptomoeda Ether.

Intitulada “Stay Free”, a obra é um autorretrato digital feito das páginas de uma decisão do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos, que determinou que a vigilância generalizada de registros telefônicos feita pela NSA violava a lei — uma prática que Snowden revelou ao mundo em 2013 ao divulgar segredos da agência para jornalistas. De acordo com a descrição da peça no mercado de arte online Foundation, o retrato de Snowden foi originalmente tirado pelo fotógrafo Platon, que concedeu permissão para seu trabalho ser usado neste NFT.

Um NFT, ou token não fungível, é um item digital único baseado em blockchain, garantindo assim um registro preciso de propriedade e autenticidade. Basicamente, qualquer coisa pode ser vendida ou leiloada como um NFT — de quadros originais a GIFs e tweets. Explicamos melhor como esses tokens funcionam neste artigo.

O NFT de Snowden foi vendido por 2.224 Ether, valendo pouco mais de US$ 5,4 milhões na época da publicação. Todos os rendimentos da venda irão para a Freedom of the Press Foundation (Fundação Liberdade de Imprensa), uma organização sem fins lucrativos que cria ferramentas de código aberto para delatores e trabalha para proteger jornalistas de hackers patrocinados pelo estado e vigilância do governo. Snowden é presidente do conselho de administração da entidade desde 2017.

“Quero estender um agradecimento muito especial a todos que acompanharam isso nas últimas 24 horas, e a mais profunda gratidão de TODOS em nosso @FreedomofPress para aqueles que licitaram em nosso evento de caridade. Você nos ajuda a fazer um mundo melhor. Mantenha-se livre!”, escreveu Snowden em seu perfil no Twitter.

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Snowden está enfrentando várias acusações criminais nos EUA sob a Lei de Espionagem de 1917 por vazar informações confidenciais sobre os programas de vigilância doméstica e global da NSA. Isso incluiu a “coleta em massa” de bilhões de ligações e mensagens de texto, uma prática que veio a se tornar inconstitucional em resposta a um processo movido pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). Para evitar ser processado pela justiça estadunidense, Snowden fugiu para a Rússia em 2013, onde vive até hoje. Inicialmente, autoridades russas concederam a Snowden asilo político temporário e, desde o ano passado, residência permanente.