Hoje em dia, quando vamos ver um filme de ação ou ficção científica, já partimos do princípio de que tudo será animação computadorizada e chroma key. Só que muitas das façanhas nos filmes – sejam antigos ou novos – foram totalmente reais. Veja abaixo algumas dessas complicadas sequências feitas para o cinema.

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Missão Impossível – Protocolo Fantasma: escalada livre



Tom Cruise fez muitas das cenas perigosas de Missão Impossível: Protocolo Fantasma, incluindo se dependurar no prédio mais alto do mundo, o Burj Kahlifa em Dubai. A cena não foi simplesmente Cruise escalando um edifício: a equipe levou de Dubai até Praga uma réplica especial do prédio, para que pudessem colocar em prática todas as loucuras que tinham planejado. Eles até usaram luzes de 15 m de altura para replicar a temperatura que o prédio provavelmente estaria no dia das filmagens.

Cruise e a equipe de dublês ensaiaram a cena por 200 horas antes de ir a Dubai. É uma quantidade impressionante de horas de ensaio para uma cena que dura apenas 6min45s.

Para filmar a cena, eles tiveram que projetar um equipamento de segurança especialmente para as câmeras IMAX porque, quando você está a mais de 800 metros do chão, tudo que você não quer é cair. Eles também construíram uma máquina de vento, que foi presa em uma janela para soprar os cabelos e as roupas de Tom Cruise. Ele estava preso a um cabo de segurança mas, quando você está numa altura de 123 andares, um cabo com a espessura de uma corda de piano não passa lá muita segurança.

Outras medidas de segurança incluíram dois engenheiros no set em tempo integral, além de todos os cabos e ferramentas serem testados contra danos em um laboratório de engenharia. Graças a todo esse cuidado no planejamento e na preparação, a gravação da sequência levou apenas oito dias. Sobre a experiência, o coordenador de dublês Gregg Smrz declarou: “eu acho que envelheci uns dez anos”.

Exterminador do Futuro 2: a perseguição de helicóptero

A perseguição de helicóptero do Exterminador do Futuro 2 foi tão perigosa que o cameraman se recusou a filmá-la. James Cameron acabou filmando ele mesmo a sequência, com a ajuda de um motorista de carro para filmagens em movimento. A cena de perseguição noturna não foi apenas inacreditavelmente perigosa, mas também difícil de ser orquestrada. A equipe preparou 16 km de cabos elétricos para iluminar a cena. Em alguns momentos, o helicóptero estava a poucos metros do chão, e até voou por baixo do viaduto que liga Los Angeles a Long Beach.

A explosão do helicóptero levou três takes para ser filmada. Segundo Cameron, este foi um dos seus momentos mais emocionantes como diretor. O orçamento do filme foi o maior da época. Do orçamento, US$ 51 milhões foram usados para façanhas reais e efeitos especiais, incluindo a cena de perseguição.

A Origem: o corredor giratório

Christopher Nolan é conhecido por preferir façanhas físicas em vez de CGI. Ele trabalha diligentemente para deixar o elenco e a equipe seguros, e para tornar realidade qualquer ideia maluca que ele imaginar. A Origem é cheio de efeitos reais incríveis, mas o corredor giratório é uma das maiores e mais complicadas cenas de todos os tempos. O que era pra ser um corredor de 12 m virou um de mais de 30 m. Engenheiros trabalharam por semanas para montar o set, que foi pendurado dentro de oito anéis com 9 m de diâmetro. Cada anel rodava usando um motor elétrico.

Cada detalhe foi projetado para ser perfeito, e evitar problemas com a vibração ou com o tempo enquanto os atores (e não dublês!) filmavam. 500 membros da equipe participaram da cena. O elenco teve duas semanas pra ensaiar e superar os desafios de tempo e o enjoo com o movimento para, assim, filmar uma das cenas mais legais que vimos em anos. Joseph Gordon-Levitt estava certo quando disse: “Não há substituto para a atuação e para a energia humana e real”.

Fuga no Século 23: a cena do carrossel

As façanhas durante a cena do carrossel são consideradas como algumas das mais complexas do cinema envolvendo voo em cabos de aço. A cena envolveu 36 dublês sendo erguidos em sincronia com o chão rodando. O set criado originalmente fez os cabos ficarem emaranhados, e cada um teve que ser desemaranhado de forma individual para remover os dublês, levando a uma reformulação total do equipamento. Além disso, algumas cenas da sequência tiveram que ser gravadas de cabeça para baixo, aumentando a complexidade da filmagem.

O Espetacular Homem-Aranha: o lançamento de teias

Na trilogia de Sam Raimi, o Homem-Aranha se balançava nas teias usando efeitos gerados por computador, mas Marc Webb seguiu um caminho diferente. O coordenador de dublês Andy Armstrong disse querer que o herói fizesse tudo aquilo de verdade; as pessoas não acreditaram que isso seria possível. Fazê-lo se balançar de prédio em prédio de Nova York não seria fácil, mesmo com uma talentosa equipe de dublês e engenheiros por trás. Mas Armstrong conseguiu: existe uma pessoa real usando o traje do Homem-Aranha na maior parte das cenas do filme.

Os diretores de dublês Vic e Andy Armstrong revolucionaram o processo de filmagem ao criar novos equipamentos para o Homem-Aranha se balançar. Armstrong descreveu isso como “um pouco parecido com estalar um chicote”. As máquinas, que tinham de 70 a 90 metros de altura, consistiam em um trilho sendo puxado por um guincho. No final da linha, havia um dublê sendo estalado como chicote. Um dos equipamentos foi construído centenas de metros acima da Riverside Drive, em Nova York, e usado para balançar o dublê pelo meio do trânsito na rua. Dublês talentosos trabalharam por meses com o equipamento para fazer as cenas parecerem o mais reais possíveis.

Transformers 3: base jumping e esmagamento de carros

Nem tudo é CGI em Transformers 3. A arriscada cena de base jumping é uma das mais legais na franquia, e é toda real. Nada de chroma key, nada de cabos, só uns caras voando por Chicago (EUA) em trajes equipados com asas e câmeras. Michael Bay viu um episódio do programa americano 60 Minutes com paraquedistas profissionais usando trajes com asas para planar como esquilos voadores. Ele sabia que precisava disso em Transformers 3 e fez acontecer. Partes do centro de Chicago foram fechadas para a gravação da cena onde eles fazem base jumping da Sears Tower (hoje Willis Tower).

Além disso, Michael Bay quebrou recordes ao destruiu 532 carros durante as gravações. Mas não se assuste, esses carros não iam sobreviver mesmo. Segundo Bay, “os carros foram danificados em inundações. Aparentemente as empresas automobilísticas nos dão os carros porque, por lei, elas são obrigadas a destruí-los. Então eu sou o cara perfeito pra isso”.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge: o ataque aéreo

Christopher Nolan tentou superar as cenas de Batman: O Cavaleiro das Trevas logo na primeiras cenas de O Cavaleiro das Trevas Ressurge – o filme começa com um incrível sequestro de avião. Quando Bane é capturado em um avião do governo americano, seus capangas descem de rapel de outro avião para resgatá-lo. Então eles destroem o avião, fazendo tudo parecer um acidente. Nolan e sua equipe passaram três dias filmando a cena sobre as montanhas Cairngorm nas Highlands escocesas.

Após a filmagens de algumas cenas, o avião menor foi substituído por um modelo especial, feito para que suas asas e cauda fossem ejetadas. Depois que os dublês voltaram em segurança ao avião maior, eles soltaram o avião menor, deixando que ele se espatifasse no chão. O dublê Ave Brown disse que eles tiveram que usar um piloto especial de helicóptero durante as filmagens, porque “quando você alcança um certo nível no orçamento, existem poucos pilotos com permissão [do estúdio] para voar. Para um filme do tamanho de O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o dia de filmagem com elenco e equipe custa umas cem mil libras, então eles só usam pilotos conhecidos”.

Todos os filmes do James Bond: vários recordes quebrados

Filmes do James Bond são conhecidos por seus efeitos reais quebrarem recordes. Muitos deles estão no Guinness Book, enquanto outros apenas nos escandalizam por sua coragem e seu alto custo. 007 – Contra GoldenEye foi o filme com o salto mais alto de bungee jump: o dublê Wayne Michaels pulou 220 metros na hidrelétrica de Verzasca.

007 – Viva e Deixe Morrer tem o recorde de mais longo salto de lancha em um filme: a lancha de Bond pula sobre uma estrada, saltando inacreditáveis 36 metros. Rick Sylvester tem o recorde de salto de ski mais alto do cinema em 007 – O Espião que me Amava. Na época, a cena do salto de ski foi a mais cara já filmada: custou US$ 500 mil e 30 mil deles foram para Sylvester pela coragem de tentar o salto.

Olhando para filmes mais recentes, é de 007 – Cassino Royale o recorde de mais giros dados no ar por um carro após uma batida. O dublê Adam Kirley rodou um Aston Martin sete vezes, com a ajuda de um canhão de nitrogênio. A fantástica cena de perseguição sobre um trem no início do filme mais recente do Bond, 007 – Operação Skyfall, também merece ser mencionada: Daniel Craig persegue um criminoso por sobre um trem cruzando a Turquia. Com poucas exceções, o que você vê no filme é o que realmente estava acontecendo durante as filmagens.

Homem de Ferro 3: o resgate do Força Aérea Um

Os cineastas aprimoraram a cena do Força Aérea Um com computação gráfica, mas a base da cena é real. O time de dublês da Red Bull trabalhou com a equipe e o com o elenco de Homem de Ferro 3 para criar o que o produtor executivo Louis D’Esposito chamou de “até o momento, a maior sequência do tipo já feita”. Eles passaram dois meses montando o teste dos paraquedas ocultos. No total, fizeram 600 saltos de paraquedas e mais de 480 saltos com os paraquedas ocultos.

Sobre a sequência, Kevin Fiege declarou: “Em nossos filmes, existem certas coisas que você pode fazer de verdade e certas coisas que você faz com computação gráfica. E, enquanto nós amamos CG e nunca vamos ser capazes de fazer um filme sem ela, se há algo que você pode fazer no mundo real, normalmente é melhor fazer assim. Essa é, até agora, a maior cena real que já fizemos em qualquer um dos nossos filmes, maior do que qualquer coisa nos filmes anteriores do Homem de Ferro e do que qualquer coisa em Os Vingadores“.

Matrix Reloaded: a perseguição na autoestrada

O segundo Matrix filmou por três meses em um trecho de 2,5 km construído do zero sobre uma antiga pista de pouso e decolagem na extinta base aérea naval em Alameda. O filme destruiu trezentos carros doados pela GM, e exigiu quantidades absurdas de sincronia pra permitir que a dublê Zoe Bell pilotasse sua motocicleta entre os carros sem ser esmagada.