O gás natural, que as empresas de combustíveis fósseis colocam como um combustível limpo de transição para as energias renováveis, é a fonte de energia que mais cresce. A energia renovável também está em ascensão, e os EUA e a Europa estão usando menos carvão. Mas, de acordo com novas pesquisas, as emissões de carbono do mundo ainda atingirão um pico histórico este ano.

A estimativa do Global Carbon Project sobre as emissões de carbono de 2019 foi publicada nesta semana, na Environmental Research Letters, Nature Climate Change e Earth System Science Data. O relatório mostra que as emissões de carbono dos combustíveis fósseis aumentaram pelo terceiro ano consecutivo.

A boa notícia (se é que podemos chamá-la assim) é que a taxa de crescimento está diminuindo. No ano passado, as emissões aumentaram 2,1%, mas este ano foram 0,6%. Esses dados, no entanto, não são um motivo para comemorar.

Os níveis de carbono atmosférico ainda estão atingindo recordes, e os pesquisadores esperam que atinjamos uma média de 410 partes por milhão neste ano.

Houve mudanças no sistema de energia ao redor do mundo. O carvão, por exemplo, está em declínio, especialmente na Europa e nos EUA. As emissões globais de carbono do carvão caíram cerca de 0,9% este ano, o que parece ótimo, pois é o combustível fóssil mais poluente em termos de carbono.

O problema é que o declínio foi compensado por um aumento das emissões provenientes da expansão do petróleo e, mais ainda, do gás natural.

“Por causa da maior oferta e dos preços mais baixos, o uso de gás natural aumentou, com crescimento de 2,6% nas emissões de dióxido de carbono em 2019”, disse Rob Jackson, professor da Universidade de Stanford que liderou a pesquisa, em um comunicado. “De fato, o aumento do uso do gás natural é responsável por 60% do crescimento das emissões fósseis nos últimos anos.”

E o relatório não leva em conta o metano, um gás de efeito estufa que é cerca de 120 vezes mais potente que o dióxido de carbono, liberado durante o processamento e transporte do gás natural.

O relatório mostra que, na maioria dos casos, o gás não está substituindo o carvão, mas sendo adicionado à mistura devido ao aumento da demanda. Isso compensou o declínio das emissões de carbono do carvão e é uma grande causa do aumento global dos dados.

Fontes renováveis estão passando por um padrão semelhante. O crescimento não está reduzindo as emissões globais porque elas estão sendo usadas para fornecer mais energia em geral, em vez de substituir a energia baseada em fósseis. Nos EUA, por exemplo, à medida que o uso de carvão diminuiu, o aumento do uso da energia solar e eólica substituiu apenas um sexto da energia de carvão gasta.

As notícias podiam ter sido piores. Uma taxa de crescimento mais lenta melhor do que um acréscimo acelerado, e menos carvão é bom– embora não esteja sendo substituído de forma sustentável.

“A curto prazo, estou profundamente frustrado pela nossa falta de progresso nas emissões globais de carbono”, disse Jackson em um e-mail ao Gizmodo. “Nós jogamos fora décadas por meio da inação. A longo prazo, continuo otimista de que a energia verde acabará por fornecer a energia do mundo.”

O relatório foi divulgado no terceiro dia das negociações internacionais da ONU sobre o clima, em um evento que acontece em Madrid e reúne líderes cívicos de 200 países. Jackson diz que os aconselharia a deixar de investir em novas infra-estruturas de combustíveis fósseis, a menos que também tenham investido seriamente na tecnologia para capturar o carbono que produzem.

“Eles também devem promover o transporte público, bicicletas seguras e carros elétricos que possam ser carregados com eletricidade renovável”, disse ele. “Eles devem reconhecer as milhões de vidas que todos os anos serão salvas por termos um ar mais limpo por meio da energia verde.”

Ele deu um conselho para aqueles que não são políticos, também: “Vote no clima e no meio ambiente como sua prioridade número 1.”