Lembra quando noticiamos que os cabos de fibra ótica estavam próximos de atingir o seu limite de capacidade? Pois bem, podemos respirar mais tranquilos, pois um artigo da Science mostra que engenheiros ultrapassaram a “capacidade limite” da transmissão por fibra ótica, permitindo a redes futuras transmitir mais dados por um custo menor.

Conforme a demanda por internet aumenta no mundo, engenheiros vêm intensificando a frequência do sinal que passa pelos cabos de fibra ótica, permitindo enviar e receber dados mais rapidamente. Mas essa transmissão tem limitações físicas. Se a frequência do sinal for aumentada demais, as luzes laser que carregam as informações pelos cabos começam a interferir umas nas outras, deteriorando o sinal e causando perda de informações.

As situações de queda de capacidade — um momento único em que os cabos não conseguem nos enviar vídeos de gatinhos mais rápido do que já podem — se tornaram mais alarmistas recentemente. Alguns especialistas chegam a dizer que poderíamos ficar sem internet em até cinco anos.

E é exatamente por isso que a mais nova descoberta vem em ótima hora. Em experimentos feitos no Instituto Qualcomm, na Universidade da Califórnia em San Diego, engenheiros elétricos puderam aumentar a potência do sinal ótico em quase 20 vezes, decifrando a informação depois de ela viajar cerca de 12.000 km – e isso sem usar caros regeneradores de rede.

Na fibra ótica, a informação é levada por transmissores que operam em diferentes frequências. À medida que mais luz laser é enviada mais rapidamente pelos cabos, a quantidade de interferência entre estes transmissores também aumenta. Imagine uma pessoa gritando em um longo corredor: a voz dela vai ecoar e se distorcer conforme a distância – a interferência dos cabos é algo semelhante a isso. Uma hora ou outra, o sinal atinge um ponto em que ele está tão distorcido que não pode mais ser decodificado quando chega ao destino final.

Para eliminar essa distorção presente na capacidade limite dos cabos, pesquisadores desenvolveram “pentes de frequência” de banda larga. Eles basicamente condicionam trechos de informação antes de serem enviados, prevendo qualquer interferência que possa ocorrer na transmissão. No lado final da fibra, essa informação pode ser decifrada e restaurada por completo.

Nikola Alic, líder do projeto no Instituto Qualcomm, disse em comunicado:

Os sistemas de fibra ótica de hoje são um pouco como areia movediça. Nessa areia, quanto mais você se move, mais rápido você afunda. Na fibra ótica, em certos pontos, quando mais força você dá ao sinal, mais distorção você recebe, impedindo um alcance maior. Nossa abordagem remove esse limite de potência, que por sua vez estende a distância em que os sinais podem viajar pela fibra ótica sem a necessidade de um repetidor.

Ainda é preciso muito trabalho antes deste desenvolvimento se transformar em melhorias para a internet do mundo real. No entanto, este é um passo importante para um futuro no qual as redes óticas poderão transmitir nossos dados de forma mais rápida e mais barata que hoje.

De novo, engenheiros espertos mostram ao mundo que a maioria das nossas limitações estão apenas na nossa imaginação. E enquanto isso, a internet segue em frente. [UC San Diego News]

Foto de capa: Gary H/Flickr