Talvez a primeira coisa que você perceba sobre Mestres do Universo: Salvando Eternia é que ela não traz He-Man no título. A animação dos anos 1980 se chamava He-Man e os Mestres do Universo, enquanto a nova, da Netflix, se chamará apenas Mestres do Universo: Salvando Eternia.

Esta mudança não significa que He-Man ficará de fora, mas ajuda a entender um pouco como Kevin Smith guiará a série focada na equipe. A série, agora mais inclusiva e atualizada para padrões de 2021, será lançada em 23 de julho na Netflix.

No mês passado pudemos falar com Kevin, que é produtor executivo e showrunner de Salvando Eternia, a respeito de seu novo livro Secret Stash. No entanto, perguntas sobre sua nova animação foram inevitáveis. Questionamos se, para ele, fazer um show estrelando uma figura hiper-masculina (cujo nome é traduzido literalmente como “Ele-Homem”) foi um desafio para um público mais inclusivo e compreensível.

“Sim, claro, He-Man era o protagonista, mas todos os episódios eram sobre He-Man e os outros Mestres do Universo. Era um programa guiado pela equipe, não só por He-Man”.

Ele continua, dizendo como “há Teela, Mentor, Pacato e a Feiticeira. Então eles sempre foram uma equipe abrangente em termos de gênero. Um dos maiores vilões era Maligna. He-Man tecnicamente é o campeão da Feiticeira – ele serve a ela e aos poderes de Grayskull. Teela estava lá mais para protegê-lo como Adam, sem saber que ele era He-Man, claro”.

Smith pensou muito a respeito disso e chegou à conclusão de que, enquanto a representação de gêneros era boa (especialmente para os anos 1980), ela não estava 100% boa em outros quesitos. “Agora, a diferença é que o show era muito branco  e isso é algo que vimos precisar mudar”, ele diz. “Mestres do Universo tinha um único personagem negro, Clamp Champ, que naturalmente evoluiu no nosso programa também. Mas sentimos que pudemos diversificar o mundo de Mestres do Universo um pouco mais do que o original”.

Divulgação
Gorpo (Griffin Newman), Andra (Tiffany Smith), Teela (Sarah Michelle Gellar), Roboto (Justin Long) e Maligna (Lena Headey) em ‘Mestres do Universo: Salvando Eternia’

Uma das maneiras foi, de acordo com ele, dar mais protagonismo para Andra, uma personagem negra de Salvando Eternia. Na vasta mitologia de Defensores do Universo Andra não era muito famosa – ela nem tem uma página no Wikipédia. Além disso, ela era branca no original, o que tem causado certa fúria por certa parte do público.

Mesmo assim, Smith e a equipe conseguiram dar um papel importante para ela. Andra é interpretada por Tiffany Smith, mulher que se identifica como multirracial, uma distinção importante dentre discussões recentes sobre atores brancos fazendo vozes de não brancos.

“Ela é nossa forma de introduzir novas pessoas ao programa”, o showrunner diz. “Na série em si, ela é a personagem que mais está fora da mitologia antiga. Ela representa a surpresa, por parte do público, da mesma forma que ainda não soube lidar com a mitologia de Eternia”.

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“Ela nunca conheceu He-Man, nem Esqueleto, nem esteve no Castelo De Grayskull. Ela é só uma pessoa que vive no Planeta Eternia fora de Eternos. Então, em nossa narrativa, ela faz o papel dos olhos do espectador neste mundo. Ela reage com o mesmo nível de surpresa que esperamos ver em nosso público, quando eles assistirem à série. Há momentos como esse onde queremos diversificar mais do que foi feito nos anos 1980”.

Mestres do Universo: Salvando Eternia será lançado na Netflix em 23 de julho.