É fácil considerar os aparelhos Nokia X como decepcionantes, por terem especificações decididamente básicas. Não tem PureView? Não tem quad-core? Não. E isso não deve mudar tão cedo.

Timo Toikkanen, vice-presidente executivo de celulares na Nokia, declarou firmemente ao Gizmodo que a empresa permanecerá focada em levar o Android para mercados emergentes. Isso significa aparelhos de baixo custo e com especificações modestas no futuro – e certamente nada de tablets.



Nossa estratégia, por muito tempo, tem sido conectar o próximo bilhão de pessoas. Houve um crescimento muito rápido, especialmente no último ano, de smartphones acessíveis abaixo dos € 100. Se você olhar para as previsões sobre o próximo bilhão de pessoas que entrarão na internet pela primeira vez nos próximos 2-3 anos, 90% delas virão de mercados emergentes. É aí que queremos oferecer escolha aos consumidores.

Claro, por mais que Toikkanen negue uma possível investida em Androids high-end, vale lembrar que a Nokia já voltou atrás no que disse. Em 2010, o então vice-presidente Anssi Vanjoki declarou: “a Nokia usar o Android seria como os garotos finlandeses que ‘urinam nas calças’ para se esquentar durante o inverno”. Ele se demitiu há três anos.

Em 2012, Niklas Savander, então vice-presidente executivo da Nokia, disse que tela gigante em smartphone “é uma estupidez“. Para ele, o ideal era não passar de 4,3 polegadas. No mesmo ano, ele se demitiu. Desde então, a Nokia lançou o Lumia 1520 e 1320, com telas de seis polegadas; e o Nokia XL, com tela de 5 polegadas.

Além disso, a Nokia já tem celulares baratos. Pra que mais, desta vez com Android? Toikkanen explica:

Não há crescimento no negócio de celulares simples, e uma coisa leva a outra. Nós temos o Asha, e nós temos o Lumia, mas a concorrência atua em mais espaços, e até mesmo com mais dispositivos.

Nossa intenção é garantir que o X continue a atingir níveis de preço mais baixos. Queremos ter certeza de que esses bilhões de pessoas estão se conectando através de dispositivos Nokia, e com serviços na nuvem da Microsoft.

A decisão de usar uma versão modificada do Android não significaria, então, que a Nokia esteja se distanciando do Windows Phone, nem que seja a base para conquistar o mercado de Androids high-end. É puramente um “pragmatismo” comercial, diz Toikkanen – seguir a próxima onda de consumo e oferecer escolhas para ela.

Toikkanen sugere que, no futuro, o Windows Phone também vai perseguir cada vez mais os mercados emergentes; hoje, o Lumia 520 é um sucesso graças a seu preço baixo e bom desempenho. Stephen Elop sugeriu o mesmo após anunciar a linha X, dizendo que ela não elimina futuros Lumias mais baratos.

Adotar o Android, portanto, é uma estratégia clássica da Nokia: a linha X vai posicioná-la em uma área chave, onde o preço tem que ser baixo; enquanto a linha Lumia recebe as novidades mais interessantes. Androids high-end não devem chegar tão cedo, se chegarem – mas em se tratando da Nokia, vale o ditado “nunca diga nunca”.

Colaborou: Felipe Ventura.