Como muitos leitores apontaram, rolou um caso Fnac lá nos EUA ontem. Por pouco mais de uma hora, as TVs de 52” da Samsung apareciam no site da loja por US$ 9,99. Como por aqui, muita gente tentou aproveitar, e, da mesma forma, a empresa pediu desculpas e cancelou as vendas. O que é diferente aqui e lá?

Não há muita diferença, na real. Como eu falei da vez do caso Fnac, quando acontecer um bug desses, não importa o lugar do mundo, sempre vai ter gente tentando aproveitar o claro bug do site. A tese de que só há "espertos de má fé" no Brasil não procede. Basta dar uma olhada no Twitter e ver o número de pessoas alertando as outras para aproveitar a "oferta do ano". No geral a ideia era: se deu certo, sorte, se não, bem, fazer o quê? Havia uma chance de conseguir mesmo levar a TV quase de graça. Em bem menor escala, o pessoal gente boa da Thinkgeek assumiu um erro no site (que fez produtos custarem zero), pediu desculpas mas enviou os brindes mesmo assim.



É claro que, como aqui, também há gente achando que fica braba e acha que "tem direito" de tomar vantagem – ainda que possa ser processada pela justiça depois. Nos comentários de blogs, alguns ameaçaram entrar com uma class action suit, uma espécie de ação conjunta por perdas e danos. Uma bobagem. Uma porta-voz da Federal Trade Commission (o Procon deles) disse à CNN que "a FTC age contra práticas comerciais injustas e enganosas, e não erros, como foi o caso". Em uma reportagem de TV, o procurador geral do Estado do Colorado disse que "não é o trabalho deles ir atrás de empresas por conta de um typo (erro de digitação)" . Me parece claro que quem entrar com um processo não vai ter uma TV por 10 dólares. Ô dó.

A Best Buy não falou muito, a não ser um curto comunicado à imprensa e ao público no site: "Houve um erro no preço online da TV de 52” da Samsung esta manhã. Nós corrigimos o problema e pedimos desculpas pela confusão que isso causou. Nós não vamos honrar o preço incorreto e novamente pedimos desculpas pelo engano."