Uma escultura de 3.300 anos da cabeça de Tutancâmon foi leiloada pela Christie’s por R$ 22 milhões, apesar das afirmações do governo do Egito de que a relíquia foi roubada.

O busto de 28 centímetros de altura, feito de quartzito marrom, tem danos no nariz, orelhas e queixo, mas tem uma condição geral excelente de acordo com a Christie’s, uma casa de leilão baseada em Londres.

A escultura é uma representação do antigo deus egípcio Amen, e foi feita para se parecer com o faraó Tutancâmon. Um colecionador anônimo comprou a impressionante relíquia de 3.300 anos por £ 4.746.250 (R$ 22.696.723,08) em um leilão feito em 4 de julho.

“Este rosto é reconhecível entre mil rostos reais egípcios”, observou Laetitia Delaloye, especialista de arte antiga e antiguidades, no site da Christie’s, destacando os olhos amendoados do faraó, maçãs do rosto altas e lábio superior proeminente. “Temos a honra de apresentar esta peça em leilão pela primeira vez na sua história. Ela é muito bem conhecida no mercado, e foi exibida muitas vezes nos últimos 35 anos,” ela disse.

A Christie’s deu seguimento com o leilão apesar dos protestos de Cairo e dos apelos do embaixador do Egito em Londres ao governo britânico. O país do norte da África reivindica a propriedade legítima da peça, dizendo que detém os direitos sob suas leis, de acordo com a ABC News. Antes do leilão, o Ministério das Relações Exteriores do Egito exigiu que a Christie’s divulgasse a documentação detalhando a propriedade da estátua.

A escultura de Rei Tutancâmon de perfilImagem: Christie’s

“Eles nunca nos contaram sobre a origem, sobre como eles compraram essa peça do Egito, que tem a propriedade desta peça”, disse Zahi Hawass, ex-ministro de antiguidades egípcio, segundo reportagem da CBS. “Eles não têm nenhuma evidência disso, mas nós achamos que essa é uma parte da nossa herança”.

Na verdade, a história desta relíquia está envolta de mistérios. Desde a descoberta do túmulo do Rei Tutancâmon na década de 1920, o busto passou por vários proprietários, desembarcando finalmente em uma coleção particular alemã em 1985. A relíquia foi agora transferida para outro proprietário, apesar das alegações do Egito de que a relíquia foi roubada.

A Christie’s discordou, dizendo que realizou “extensa auditoria jurídica” para comprovar a propriedade da estátua, e que foi “além do que é necessário para assegurar o título legal”, segundo a Associated Press.

Um funcionário do governo do Reino Unido disse que “eles esperam que todas as vendas sejam feitas de acordo com a lei e que este é um assunto da Christie’s”, informou a CBS.

Esta não é a primeira vez que o Egito exige a devolução de um artefato histórico, nem é provável que seja a última. A Pedra de Roseta guardada no Museu Britânico, por exemplo, é um desses itens.

Este último incidente é parte de uma tendência crescente, em que as nações estão exigindo a devolução de artefatos antigos retirados de seu território por arqueólogos e colecionadores estrangeiros.

De fato, pode argumentar-se com veemência que relíquias antigas, restos mortais humanos e outros elementos de importância arqueológica, histórica e cultural, se tomados sem consentimento, devem ser repatriados quando um país solicita a devolução. Infelizmente, há muitos países que têm dificuldade em deixar de lado os seus hábitos imperialistas.