Lentes de contato são ótimas se o seu único problema for enxergar o que está próximo ou hipermetropia, mas se você for um dos que lutam contra a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das principais causas da cegueira entre adultos, essas lentes não vão ajudar – ou ao menos o tipo de lentes que estamos acostumados. Mas, em breve, aqueles que sofrem de DMRI vão poder ter a visão melhorada com a ajuda de um telescópio fino e ajustável que fica bem no meio do seu olho.

Financiado pela DARPA, uma equipe conjunta de pesquisadores suíços e dos Estados Unidos está encarando o problema de correção da visão perdida como resultado de danos na retina – algo que lentes normais, que simplesmente refocam os olhos, não fazem nada para ajudar. Ao ampliar a visão de um paciente com DMRI, a luz também é ampliada, permitindo que ela se espalhe pelas partes da retina que continuam intactas. Até agora, qualquer tentativa de lupa óptica veio na forma de um telescópio altamente intrusivo, ou algo menor que exigia cirurgia nos olhos.

A equipe, liderada pelo professor da Universidade da Califórnia Joseph Ford, embutiu espelhos na criação de um telescópio que tem pouco mais de um milímetro de espessura. O novo telescópio, que não é intrusivo, é bastante impressionante, e a equipe conseguiu criar um sistema que permite que a visão do paciente facilmente mude da ampliada para a normal. Graças a uma série de vidros de cristal líquido, usuários podem escolher entre bloquear a porção aumentada das lentes de contato ao longo do aro ou a parte não-aumentada central. O comunicado à imprensa explica:

Os cristais líquidos nos vidros eletricamente mudam a orientação da luz polarizada, permitindo que uma orientação ou outra passem através das lentes para as lentes de contato.

As lentes de contatos em si são feitas de um material chamado polimetil metacrilato, e são componentes bastante fortes que permitem as correções necessárias das cores anormais que as formas das lentes criam. Essas lentes representam um avanço incrível, mas ainda vai demorar para chegarem aos consumidores. Os recursos que fixam a cor também têm o efeito de reduzir a qualidade da imagem real, e o polimetil metacrilato não é permeável a gases, o que significa que os pacientes não poderiam usar as lentes por um longo período de tempo.

Ainda assim, um telescópio funcional com tamanho mínimo é um grande passo para melhorar a qualidade de vida daqueles que sofrem de DMRI. E assim que os cientistas conseguirem corrigir as falhas, o mundo vai parecer muito melhor para essas pessoas. [Business Wire]