Quando o assunto é COVID-19, Atila Iamarino (@oatila) é a maior voz da ciência brasileira no Twitter. É o que indica estudo elaborado pela pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD) e pela Science Pulse, uma ferramenta de de monitoramento de redes sociais que acompanha divulgadores científicos nas redes sociais.

Além dele, completam a lista a jornalista Luiza Caires (@luizacaires3), o médico epidemiologista Otavio Ranzani (@otavio_ranzani), a biomédica Mellanie Fontes-Dutra (@mellziland) e o cardiologista Marcio Bittencourt (@MBittencourtMD).

De acordo com Sergio Spagnuolo, fundador do Volt Data Lab e do Science Pulse, o ranking levou em conta a popularidade, a autoridade e a articulação dos cientistas. A pesquisa considerou mais de 213 mil publicações de 1.200 cientistas e divulgadores científicos que falaram especificamente sobre COVID-19.

A métrica de autoridade demonstra quais são os perfis centrais na difusão de informações na rede; a de articulação quais são as pontes entre diferentes grupos; e a popularidade reflete o alcance na rede. Todos os detalhes metodológicos podem ser conferidos aqui.

Iamarino tem mais de 1,1 milhão de seguidores no Twitter. No início de 2020, eram pouco mais de 165 mil. Responsável pelo canal de divulgação científica Nerdologia, o biólogo ganhou projeção com suas lives e explicações sobre a COVID-19.

Doutor em Ciências Biológicas pela USP, Iamarino chegou a dar diversas entrevistas para jornais e canais de TV sobre a pandemia. Muitas vezes atacado por conta de seus posicionamentos, o biólogo chegou até a estrelar campanha do Tribunal Superior Eleitoral contra fake news.

Para Spagnuolo, o fato de o biólogo ser alvo de tantos críticos colaborou ainda mais para sua projeção. “Em nossa análise, não levamos em conta os ataques. Mas o fato de ele ser tão atacado também o faz ser mais defendido pela comunidade científica e, consequentemente, a ter mais destaque. Há uma mobilização constante para respaldá-lo”, diz.

O relatório também ressalta a presença da USP como principal articuladora entre diferentes vozes. Muitos dos pesquisadores da universidade, junto com os da Unicamp, utilizam o Twitter de forma ostensiva para fazer divulgação científica. Nem todos da lista são cientistas. Luiza Caires é jornalista, mas por comunicar novidades claras sobre a COVID-19, conseguiu se destacar na rede.

Epidemiologistas e infectologistas também se destacam internacionalmente

O estudo ainda avalia quem são os maiores influenciadores internacionais quando o tema é COVID-19. No ranking global, o médico Eric Topol (@EricTopol) lidera a lista; seguido pela professora e bioestatística Natalie E. Dean (@nataliexdean); pelo epidemiologista e imunologista Michael Mina (@michaelmina_lab), pelo infectologista e reitor da Emory University Carlos del Rio (@CarlosdelRio7); e pela epidemiologista Maria Van Kerkhove (@mvankerkhove).

O estudo também destaca quais são as instituições de pesquisa com maior destaque na conversa sobre COVID-19. São elas: Universidade de Stanford (@stanford), Universidade de Princeton (@princeton), o Centro de Medicina de Stanford (@StanfordMed), a Universidade de Florida (@UF) e a ONG fundada pelo dono do Facebook, a Chan Zuckerberg Biohub (@czbiohub).