A azitromicina não é eficaz no tratamento contra a Covid-19 e ainda pode agravar o quadro, levando à morte. É o que revela uma pesquisa recente publicada no The Lancet. O estudo foi liderado por Timothy Hinks, John Radcliffe e alguns cientistas do Hospital e Universidade de Oxford, Reino Unido. 

O ensaio clínico avaliou 292 pessoas com mais de 18 anos, em 19 centros diferentes, com suspeita ou confirmadas com o novo coronavírus. Elas apresentavam até 14 dias de sintomas, mas o quadro era considerado mediano: nem muito grave, a ponto de precisar de oxigenação, nem muito leve, para que pudessem se tratar sozinhas em casa. Os pacientes foram escolhidos de forma aleatória para receber azitromicina de 500 mg via oral por 14 dias ou para fazerem acompanhamento em casa. Os resultados foram avaliados nos 28 dias subsequentes.

Os pesquisadores notaram que não houve diferença entre os óbitos dos que se trataram em casa e os que receberam o medicamento, assim como nos riscos de hospitalização pela doença. 

“Neste ensaio de pessoas com um quadro de leve a moderado de Covid-19, diagnosticado clinicamente e e com medicação administrada sem internação hospitalar, adicionar azitromicina ao tratamento padrão não reduziu o risco de hospitalização ou morte subsequente, ou do tempo de hospitalização”, disseram os autores. Segundo eles, a pesquisa, junto com os resultados de outros estudos ao longo da pandemia, indicou que a azitromicina, tanto os pacientes precoces quanto os casos mais graves da doença, não teve eficácia para o tratamento da Covid-19. 

A azitromicina tem propriedades antibióticas, anti-inflamatórias e antivirais. Normalmente, é usada no tratamento de uma série de doenças respiratórias, como pneumonia e tuberculose. Assim que a pandemia da Covid-19 começou, a busca por um tratamento rápido e certeiro foi intensa. O medicamento foi visto como potencial para o tratamento da doença. Contudo, os cientistas foram percebendo que não há resposta suficiente para que ela seja considerada eficaz. 

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Neste estudo, os cientistas dizem que é imprescindível que médicos do mundo inteiro parem de usar a azitromicina como um tratamento de Covid-19. Eles disseram no artigo que o uso do medicamento a longo prazo pode induzir o organismo a criar resistência contra o fármaco. E mais: o remédio pode se tornar ineficaz quando, de fato, precisar ser aplicado.

No Brasil, o medicamento fazia parte do chamado “Kit Covid”, em que diversos medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus foram sugeridos para tratamento. Foi só um ano após o início da pandemia que o Ministério da Saúde passou a contraindicar antibiótico. Ainda assim, teremos que aguardar o desfecho de mais estudos para que os médicos, enfim, possam saber quais tratamentos funcionam contra o Sars-Cov-2.