Ciência

Estudo encontra associação entre poluição do ar e aumento nos casos de câncer de mama

Quanto mais poluição onde vivem, maior a incidência de câncer de mama; maior pesquisa da área confirma relação
Imagem: Rebekah Vos/ Unsplash/ Reprodução

Nova pesquisa publicada no Journal of the National Cancer Institute indica que viver em uma área com altos níveis de poluição do ar tem relação com um aumento na incidência de câncer de mama. 

Esse é um dos maiores estudos feitos até agora sobre o tema. Participaram da pesquisa cientistas do National Institute of Environmental Health Sciences e do National Cancer Institute, dos Estados Unidos.

Entenda a pesquisa

Para medir a poluição atmosférica, os pesquisadores consideraram os níveis de matéria particulada presentes no ambiente perto das residências das mulheres participantes do estudo. 

A matéria particulada é uma mistura de partículas sólidas e gotículas líquidas encontradas no ar. Ela provém de várias fontes, como escapamentos de veículos, processos de combustão, fumaça de incêndios florestais e emissões industriais.

Neste estudo, os cientistas mediram a poluição por matéria particulada com diâmetro de 2,5 mícrons ou menor. Isso significa que as partículas são pequenas o suficiente para serem inaladas e chegarem nos pulmões. 

Em geral, os pesquisadores mediram a poluição do ar no período de dez a 15 anos antes do estudo, diferente de experimentos anteriores. De acordo com os autores da pesquisa, a capacidade de considerar os níveis históricos de poluição do ar é uma importante vantagem.

“Pode levar muitos anos para o câncer de mama se desenvolver e, no passado, os níveis de poluição do ar tendiam a ser mais elevados, o que pode tornar as exposições anteriores particularmente relevantes para o desenvolvimento do câncer“, explicou Rena Jones ao Eureka Alert. Ela é uma das autoras do estudo.

Poluição do ar e câncer de mama

“Observamos um aumento de 8% na incidência de câncer de mama em áreas com maior exposição à matéria particulada”, contou Alexandra White, também do estudo. 

Segundo ela, embora este seja um aumento relativamente modesto, as descobertas são significativas. Isso porque a poluição do ar é uma exposição generalizada, que afeta quase todo mundo.

Então, para analisar como a relação entre a poluição do ar e o câncer de mama variava de acordo com o tipo de tumor, eles avaliaram o tipo de receptor de estrogênio dos tumores.

Por fim, descobriram que a poluição do ar estava associada a uma maior incidência de câncer de mama estrogênio positivo, mas não de tumores estrogênio negativo. 

Dessa forma, isso sugere que a matéria particulada pode influenciar o aparecimento de câncer de mama por meio de uma perturbação do sistema endócrino.

Essas descobertas se somam a um corpo crescente de literatura que sugere que a poluição do ar está relacionada ao câncer de mama. Agora, os pesquisadores envolvidos esperam que trabalhos futuros explorem essa relação considerando as diferenças regionais na poluição do ar.

Câncer de mama no Brasil

Dados do INCA (Instituto nacional do Câncer) indicam que o Brasil teve 66 mil novos casos de câncer de mama em 2021. O câncer de mama também ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil.

Em geral, os principais sinais da doença são os caroços na mama e a pele desta região com aspecto de casca de laranja. Quanto mais cedo o câncer de mama for detectado, mais chances de curá-lo.

Recentemente, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) começou a produzir o medicamento trastuzumabe, utilizado na quimioterapia em pessoas com câncer de mama.

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Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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