Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Chicago analisou como a poluição do ar está afetando a vida das pessoas. Eles desenvolveram um Índice de Qualidade de Vida do Ar (AQLI), que associa os níveis de poluição ao impacto na expectativa de vida.

O relatório é feito a partir de estudos que comparam as taxas de mortalidade de pessoas que vivem em lugares mais e menos poluídos, onde problemas cardíacos e pulmonares são a maior fonte de mortes prematuras. As estimativas de poluição em todo o mundo foram obtidas por dados de satélite.

De onde vem a poluição?

A queima de combustíveis fósseis é a principal causa da poluição do ar — e, por tabela, da crise climática. A combustão cria poluição por partículas e emissões de gases de efeito estufa, sendo que a última aumenta os incêndios florestais. Os incêndios, por sua vez, alimentam a poluição e as emissões de gases de efeito estufa, criando um círculo vicioso.

“O carvão é a fonte do problema na maior parte do mundo”, disse o professor Michael Greenstone, co-autor do relatório, ao jornal The Guardian. “Não estamos apenas deixando acontecer, estamos realmente causando isso. O mais impressionante é que existem grandes países onde, efetivamente, uma combinação de normas governamentais e [sociais] estão optando por permitir que as pessoas vivam vidas dramaticamente mais curtas e mais doentes.”

Resultados da pesquisa

Os cientistas descobriram que o cidadão global médio está perdendo 2,2 anos de vida. Isso significa que a poluição do ar está se tornando uma causa mais letal do que fumar, acidentes de carro ou HIV/Aids.

Eles calculam que até 17 bilhões de anos de vida poderiam ser salvos se a poluição do ar fosse reduzida ao nível de referência para ar limpo: a diretriz da OMS, de 10 µg/m3. Surpreendentemente, a exposição média da população mundial à poluição é atualmente três vezes maior, em concentrações de 32 µg/m3.

Na Índia, por exemplo, as pessoas estão perdendo 5,9 anos em sua expectativa de vida. Isso porque, no norte do país, 480 milhões de pessoas respiram 10 vezes mais poluição do que em qualquer outro lugar do mundo. A redução da poluição acrescentaria 5,4 anos em Bangladesh e Nepal e 3,9 anos no Paquistão.

Na África Central e Ocidental, os impactos na expectativa de vida são comparáveis ​​ao HIV/Aids e malária, mas recebem muito menos atenção, diz o relatório. Por exemplo: um cidadão médio no delta do Níger pode perder quase seis anos de vida, com 3,4 anos perdidos pela média no país.

“O Sul da Ásia é consistentemente a região mais poluída, com as pessoas tendo suas vidas encurtadas em 5 anos, em média, em relação ao que seria se a região atendesse a diretriz da OMS”, conclui o estudo.

Como resolver o problema?

A publicação citou as melhorias nas condições ambientais da China desde que o país iniciou uma “guerra contra a poluição” em 2013, e reduziu esses níveis em 29%. Eles adotaram políticas fortes, como restrições às usinas movidas a carvão, à fabricação de ferro e aço e ao número de carros nas cidades. Os resultados são promissores: o esforço está adicionando uma média de 1,5 anos à expectativa de vida dos cidadãos.

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Assim, as descobertas mostram que é nosso dever investir em energia limpa e reduzir as taxas de poluição. Também já falamos por aqui sobre um estudo publicado na revista científica Nature, feito por pesquisadores da University College London (UCL), que afirmou que precisamos manter quase todas as reservas mundiais de carvão e mais da metade do petróleo e gás no solo se quisermos manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC. Essa mesma pesquisa também destacou que a produção global precisa diminuir a uma taxa de cerca de 3% ao ano até 2050.