Toda a indústria de jogos de quebra-cabeça se vale do prazer e da alta dose de endorfina liberada quando o usuário finalmente descobre como se resolve um problema dentro de uma fase. A ciência sabe pouco sobre esse rápido momento que todos nós experimentamos de vez em quando, e num novo estudo, pesquisadores tentaram descobrir algumas coisas ao observar pessoas tendo epifanias.

• Pessoas solitárias tendem a humanizar dispositivos tecnológicos, aponta estudo
• Um clássico estudo da psicologia não consegue ser reproduzido com os mesmos resultados

O estudo, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, descreve como os pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio estão tentando aprender mais sobre o “aprendizado por epifania”. A maioria das pessoas poderiam descrever em linhas gerais como eles chegaram a uma epifania, mas isso não nos ajuda a realmente entender as milhões de pequenas coisas que nos levam até o momento “a-ha”. Os pesquisadores de Ohio estão utilizando uma combinação de tecnologia de rastreio do movimento dos olhos e de dilatação da pupila para recolher dados objetivos.

Eu já posso adiantar para você que os pesquisadores não chagaram um momento epifânico de conclusão sobre a natureza das epifanias com esse estudo. São apenas os primeiros passos. Mas isso não significa que a metodologia utilizada e as conclusões obtidas até agora não sejam interessantes.

Utilizando um grupo de controle de 59 estudantes, os cientistas fizeram com que os participantes jogassem um jogo. Ele precisava ser meio complicado para que as pessoas trabalhassem um pouco nele. Basicamente, dois participantes competiam um contra o outro ao escolher um número dentro de 11 opções que estavam organizadas num círculo. O ganhador sempre era a pessoa que escolhia o menor número, então o zero era a melhor opção.

Os estudantes passavam por 30 rodadas, cada vez com um oponente diferente. Numa rodada, eles viam os números para fazer a seleção. No final, viam a própria escolha, a jogada do oponente e a resposta correta. Então eles tinham a opção de manter a escolha até o final do estudo. Enquanto isso, um rastreador de olhos estava registrando para onde eles olhavam enquanto tentavam resolver o problema. Aqueles que escolhiam o zero no meio do jogo e decidiam se manter com ele, muito provavelmente tiveram o momento de compreensão, e os pesquisadores estudaram os rápidos segundos antes disso acontecer.

“Existe uma mudança repentina no comportamento. Eles estão escolhendo outros números e de repente mudam e passam a escolher apenas o zero”, disse o co-autor do estudo, Krajbich, ao Science Daily. “Essa é uma marca distintiva do aprendizado epifânico”.

Os pesquisadores descobriram que 42% dos estudos corretamente de decidiram pelo zero, 37% se decidiram pelo número errado, e 20% não chegou a escolher uma resposta sobre a qual estavam certos.

O que era diferente nas pessoas que experimentaram uma epifania e entenderam o puzzle? Primeiro, eles prestavam mais atenção nas próprias escolhas do que seus oponentes. Krabjich diz que “quando sua pupila dilata, nós vemos que existe uma evidência de que você está prestando bastante atenção e aprendendo”. Entre os ganhadores, suas pupilas iam dilatando enquanto estudavam os resultados de cada rodada. Eles também passavam mais tempo olhando para sua escolha e a escolha correta, em vez de focar no resultado do jogo.

Aqueles que perceberam que o zero era a melhor opção aparentemente não construíram essa escolha gradualmente. Embora olhassem para zero mais frequentemente do que os participantes que selecionaram o número errado, eles não ponderavam mais na hora de apertar o botão de confirmação. A partir do momento que eles sabiam, apertavam o botão. E aí a dilatação da pupila sumiu.

O aprendizado imediato é uma espécie de lição de vida científica: “É melhor pensar sobre um problema do que simplesmente seguir os outros”, diz Krajbich.

[Science Daily, PNAS, PNAS]

Imagem do topo: Elisa Riva/Pixabay