Segundo um novo estudo publicado na última quinta-feira (15) na revista Science, cerca de 2,5 bilhões de Tyrannosaurus Rex podem ter alcançado a vida adulta e vagado sobre a Terra. Os pesquisadores chegaram a esse resultado ao analisar o número de fósseis encontrados da espécie até então, além de fazer algumas estimativas dos que ainda não foram localizados.

Charles Marshall, autor do estudo e paleontólogo da Universidade da Califórnia em Berkeley, gosta de fazer grandes perguntas, entre elas quando o primeiro bebê de um dinossauro emergiu de seu ovo — talvez um olhar literal para o enigma do ovo ou da galinha. Uma dessas questões surgiu quando Marshall estava olhando para o T. Rex fundido fora do museu na UC Berkeley: quais eram as chances de sobrevivência do fóssil? Para descobrir isso, Marshall disse que precisava primeiro listar quantos animais já viveram.

De certa forma, o T. Rex esteve no topo da cadeia alimentar por 2,5 milhões de anos. Quando os dinossauros morreram na colisão catastrófica de um asteróide com a Terra, a espécie saiu por cima e reinou supremo em nossa memória coletiva, graças à sua morfologia única e, claro, relíquias da cultura pop, como Jurassic Park.

Imagem: Jeff J Mitchell/Getty Images
Imagem: Jeff J Mitchell/Getty Images

Junto com outros megaterópodes, o T. Rex foi denominado uma “morfoespécie”. Como relatamos anteriormente aqui no Gizmodo, integrantes de suas espécies preencheram vários nichos ecológicos ao longo de seu desenvolvimento. Por esse motivo, os T. Rex mais jovens, cada vez mais tratados como um predador totalmente separado de suas contrapartes adultas, não foram incluídos na contagem recente da equipe de Marshall. O paleontólogo afirma que, ao separar os dinossauros mais jovens dos adultos, pode servir de ajuda para calcular a idade de fósseis em futuras escavações de tiranossauros ou outros animais.

A equipe usou um modelo matemático baseado em achados conhecidos de T. Rex e espécies comparáveis ​​existentes, como leões e dragões de komodo, para aproximar a extensão geográfica do predador do período Cretáceo, densidade populacional, sangue quente versus frio e curva de crescimento, entre outros variáveis ​​úteis.

Imagem: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP via Getty Images
Imagem: Stephane de Sakutin/AFP via Getty Images

Ao final, os pesquisadores estimaram que cerca de 2,5 bilhões de indivíduos viveram até a idade adulta, sendo aproximadamente 20.000 T. Rex. O número de 2,5 bilhões é o valor médio de uma curva bastante ampla, com 2,5% e 97,5% situados em 140 milhões e 42 bilhões. Eles ainda estimam que um fóssil de T. Rex se fossiliza para aproximadamente cada 80 milhões de indivíduos, e um é encontrado para cada 16.000 que morreram em um depósito amigo dos fósseis, como a formação Hell Creek, de Montana.

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O modelo pode ser uma ferramenta heurística útil, embora alguns paleontólogos tenham o cuidado de indicar os limites de tal trabalho.

“Acho que este é um estudo interessante que mostra muito bem os tipos de informação que podemos obter do registro fóssil”, disse Jordan Mallon, paleobiólogo do Museu Canadense de Natureza, e que não está afiliado ao estudo de Marshall. “Mesmo 50 anos atrás, se você tivesse dito a um paleontólogo que um dia seríamos capazes de estimar as densidades populacionais de dinossauros a partir do número de fósseis, você seria olhado com desconfiança”, completou.