Há 66 milhões de anos um cometa atingiu nosso planeta e destruiu três quartos dos animais e plantas — principalmente os dinossauros. Até hoje, acreditava-se que ele teria vindo de um cinturão de asteroides que fica entre Júpiter e Marte. No entanto, pesquisadores de Harvard agora sugerem que, na verdade, que o meteoro que chegou à Terra era só um pedacinho de um cometa muito maior vindo de uma região chamada Nuvem de Oort, uma esfera de de destroços na borda do Sistema Solar.

A teoria foi publicada na revista Scientific Reports pelos pesquisadores Avi Loeb e Amir Siraj. Utilizando análises estatísticas e simulações gravitacionais eles sugerem que um cometa, de até 80 km de diâmetro e aproximadamente 1 trilhão kg, saiu da Nuvem de Oort, se aproximou de Júpiter e foi repelido pelo seu campo gravitacional em direção ao Sol. A força de maré do Sol o quebrou em pedaços e um deles veio parar na Terra causando o estrago equivalente a bilhões de bombas nucleares .

“Júpiter basicamente atuou como uma máquina de pinball”, disse, em comunicado à imprensa, Siraj, que também é co-presidente dos estudos de Harvard para Exploração e Desenvolvimento do Espaço. “Júpiter empurra esses cometas para muito perto do Sol”, explica.

A teoria faz sentido. Um dos principais enigmas em relação à teoria anterior, de que o cometa teria vindo do cinturão entre Júpiter e Marte, é relacionado a um material chamado condrito carbonáceo — raro nos asteroides de tal cinturão mas muito presente em asteroides da Nuvem de Oort e na Cratera de Chicxulub, onde acredita-se que caiu o meteoro.

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A Cratera de Chicxulub tem entre 10 e 60 km e foi descoberta no México pelo físico Luis Alvarez e seu filho, o geólogo Walter Alvarez. A idade estimada da cratera coincide com a época em que o pedaço de meteoro chegou à Terra, dizem os pesquisadores de Harvard.

Se a teoria estiver correta, a chance de a Terra sofrer tal tipo de impacto é multiplicada por 10. De acordo com os pesquisadores, nosso planeta é atingido por pedaços semelhantes de meteoros a cada 250 ou 730 milhões de anos. Considerando que o último foi há 66 milhões, pode ficar tranquilo: ainda temos bastante tempo até o próximo.

No vídeo abaixo, em inglês, os pesquisadores detalham sua teoria.

[Ars Technica, EurekAlert]