Um grupo de pesquisadores americanos está sugerindo uma mudança na classificação do Tiranossauro rex. Para eles, os espécimes conhecidos do gigante carnívoro não apontam para apenas uma espécie, mas sim três distintas.

A conclusão é baseada em análises morfológicas do predador gigante. Os cientistas analisaram 37 espécimes de T. rex, focando na robustez de seus ossos da coxa e também em sua arcada dentária. 

De acordo com o estudo publicado na revista Evolutionary Biology, há uma variação muito grande entre os fósseis. Os ossos que pertenciam a dinossauros mais velhos eram mais robustos, enquanto os dinossauros mais jovens tinham ossos mais finos. 

Além disso, alguns dos animais possuíam apenas um dente incisivo (que auxilia na mastigação), enquanto outros espécimes tinham dois. 

Tais diferenças poderiam ser atribuídas ao dimorfismo sexual, ou seja, diferença entre machos e fêmeas, ou discrepâncias naturais entre indivíduos. Mas a equipe defende que a variabilidade na robustez dos ossos chega a 30%, nível alto o suficiente para que sejam classificados em diferentes espécies.

Seriam eles o Tiranossauro imperador, Tiranossauro rainha e Tiranossauro rex. O primeiro da lista seria o ancestral comum das duas últimas espécies, com ossada robusta e dois dentes incisivos. 

Mas essas são praticamente as únicas diferenças entre os espécimes. O tamanho e o peso, por exemplo, eram iguais para todos. Em entrevista à CNN, Gregory Paul, autor do estudo, comparou o caso com as sutis diferenças observadas entre um esqueleto de tigre e de leão.

E é exatamente pela falta de evidências concretas que muitos paleontólogos se mantêm céticos quanto ao estudo. Rafael Delcourt, pesquisador da USP de Ribeirão Preto, disse à Folha de São Paulo que, apesar da pesquisa trazer discussões interessantes, “é preciso olhar esses espécimes com mais cuidado e ir além da robustez do fêmur e das diferenças de dentição”.

Thomas Carr, professor da Faculdade Carthage em Kenosha, Wisconsin, disse à CNN que as características identificadas pelos pesquisadores “representam variação sem sentido, não sinal biológico”. Seu estudo sobre as diferenças entre os espécimes de T. rex, publicado em 2020, não encontrou variabilidade de espécies para o gigante.