Os estados montanhosos americanos estão enfrentando um inverno atípico. As estações de esqui do Colorado, por exemplo, atrasaram a abertura pois as temperaturas estavam altas demais para produzir neve falsa. Salt Lake City, por sua vez, ficou totalmente sem neve em novembro – o que só aconteceu uma vez, em 1976.

Um estudo publicado na revista Nature mostra que essa é uma tendência para as próximas décadas. Pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos EUA, projetaram o cenário para quatro regiões montanhosas dos EUA, considerando os impactos do aquecimento global sobre os níveis de neve. 

As mudanças já estão batendo na porta. Eventos episódicos de pouca ou nenhuma neve em Sierra Nevada, por exemplo, já são previstos para 2047. Já a perda persistente de neve, em que pelo menos metade de uma bacia montanhosa permanece com pouca ou nenhuma neve por 10 anos consecutivos, deve atingir a Califórnia em 2050, o Noroeste Pacífico em 2060 e o Alto Colorado no final dos anos 2070.

Os efeitos vão muito além de um natal sem bonecos de neve. O declínio da camada de neve nos EUA pode levar a incêndios florestais extremos. É simples: a chegada da neve após incêndios contribui para o reflorestamento das áreas afetadas. Se caírem chuvas ao invés de nevascas, é possível que o tipo de vegetação da área seja alterada e o solo permanentemente afetado, desencadeando problemas como a erosão.

O problema não para por aí. Cerca de 75% da água usada no oeste americano é proveniente do degelo. O rio Colorado, por exemplo, é alimentado pela neve das montanhas e fornece água potável para mais de 40 milhões de pessoas.

E nem precisamos esperar décadas: O Vale de San Joaquin, na Califórnia, já está enfrentando uma crise hídrica provocada pela seca e pelo encolhimento dos aquíferos. 

O estudo serve de alerta para que, no futuro, pesquisadores e gestores trabalhem juntos no desenvolvimento de políticas públicas voltadas aos obstáculos que vêm pela frente.