Depois de copiar recursos do TikTok, Snapchat e de quase todos os aplicativos mais populares, parece que o Facebook está de olho em sua próxima vítima: o app americano Nextdoor, que conecta vizinhos de um mesmo bairro fornecendo informações sobre serviços locais. Coincidência ou não (e vamos fingir que foi por pura coincidência), o rumor de que o Facebook planeja um rival ao Nextdoor aparece poucos dias após um outro boato que o aplicativo se prepara para abrir seu IPO de bilhões de dólares.

Compartilhado pela primeira vez por Matt Navarra no Twitter, a companhia de Mark Zuckerberg já teria até nome para a nova função: Neighborhoods, ou “Bairros”, na tradução literal. Ela é descrita como uma forma dos usuários “descobrirem o que está acontecendo onde [eles] vivem” através do Facebook.

Um porta-voz da empresa confirmou à Bloomberg que a plataforma está sendo testada em beta na cidade canadense de Calgary. Se tudo correr conforme o planejado, a ideia é ampliar o serviço para mais municípios, inicialmente na América do Norte.

De acordo com as capturas de tela divulgadas por Navarra, fazer parte de um desses grupos de bairro dá aos usuários do Facebook um feed cheio de postagens e grupos específicos para sua região, junto com dicas de itens que podem ser comprados em mercados na área. Também é possível criar um perfil específico do bairro para que as pessoas que ainda não são seus amigos do Facebook possam se conhecer.

Navarra notou ainda um lembrete do Facebook de que as pessoas no recurso Bairros devem ser “inclusivas” e “gentis” com seus vizinhos, independentemente de sua etnia ou identidade de gênero.

De usuários ativos do Nextdoor (incluindo eu mesma), estes rumores podem levar a certas questões. A plataforma tem um histórico de anos em permitir que casos de preconceito, racismo, injúria e todo o tipo de ofensa se espalhem pelas telas do aplicativo. E embora a empresa tenha tentado implementar algumas salvaguardas contra a criação de perfis nos anos seguintes, os ativistas dizem que essas medidas estão longe de ser suficientes para conter tantos crimes.

Por experiência própria, eu concordo: os grupos do Nextdoor para a minha vizinhança – que por acaso são esmagadoramente brancos – se transformaram em um recinto de calúnias, estereótipos e muita maldade. Recentemente, um dos meus “vizinhos” respondeu a uma postagem sobre um ladrão não identificado atacando uma loja de conveniência local dizendo que “criminosos de cor são fortalecidos pelo movimento Black Lives Matter”. Eu também já vi outros posts de diferentes assuntos, desde a falta de moradia até o distanciamento social, no mesmo contexto paranoico e preconceituoso que ainda permanece no Nextdoor.

Se esse é o tipo de conversa que tende a evoluir naturalmente em uma plataforma de vizinhança, então trazer essa funcionalidade para o Facebook só pode resultar no aumento do número de postagens racistas e preconceituosas, já que a rede social está infestada de grupos dedicados à supremacia branca e violência de direita. E dado o histórico da companhia, ela não parece muito interessada em reprimir esses conteúdos.

Felizmente ou não, o Nextdoor não está disponível no Brasil.