Uma longa reportagem do Wall Street Journal publicada na última sexta-feira (16) diz que o Facebook tem feito de tudo para que seus algoritmos priorizem conteúdos conservadores e de direita na plataforma, ao mesmo tempo que prejudica o viés contrário, de esquerda. A matéria afirma que isso vem acontecendo desde 2017, quando os engenheiros da empresa foram orientados a projetar um algoritmo para impactar de maneira desproporcional os veículos de esquerda, sufocando efetivamente o tráfego desses canais.

De acordo com o relatório do WSJ, naquele ano de 2017, pessoas poderosas com perfis no Facebook estavam preocupados sobre como essas mudanças afetariam os meios de comunicação de direita e queriam evitar adicionar combustível ao argumento dos críticos de que a plataforma tem um viés anti-conservador.

No entanto, em sua tentativa de parecer imparcial, a empresa exagerou na dose e foi além de níveis aceitáveis de correção – o que não é novidade dado o histórico da companhia. Os engenheiros do Facebook revisaram a atualização para afetar os sites de esquerda mais do que o planejado anteriormente, e o próprio CEO Mark Zuckerberg aprovou o redesenho. Em nota ao jornal, a empresa alegou que as mudanças não tinham nenhum veículo específico como alvo.

“Não fizemos alterações com a intenção de impactar editores individuais”, disse um porta-voz do Facebook ao WSJ.

Um dos sites que o relatório citou como sendo afetado negativamente por essa reformulação é o Mother Jones, um renomado meio de notícias investigativas. Em resposta à reportagem, o diretor editorial do Mother Jones para crescimento e estratégia, Ben Dreyfuss, escreveu uma crítica contundente ao Facebook que detalha anos de relações frustrantes e tensas com a empresa.

Dreyfuss disse que em várias reuniões com executivos do Facebook, em 2017 e 2018, ele tinha certeza de que, embora os editores pudessem esperar que o tráfego diminuísse após as mudanças algorítmicas, “não era de uma forma que favorecesse ou desfavorecesse qualquer publicação ou classe de editor”. Em 2019, vários dos editores do site escreveram que o tráfego do Facebook havia caído drasticamente nos últimos 18 meses, resultando em uma perda de pelo menos US$ 600 mil.

A CEO do Mother Jones, Monika Bauerlein, expressou frustração com o Facebook em um tópico do Twitter na sexta-feira passada, explicando que a perda de tráfego teve “efeitos reais” na organização. O Mother Jones viu uma queda de cerca de US$ 400 mil na receita anual do site e, como resultado, não conseguiu preencher vagas ou completar determinados projetos.

“Um dos motivos pelos quais isso é tão irritante é que há tanto tempo insisto em dar ao Facebook o benefício da dúvida. Eu estava convencida de que éramos uma vítima aleatória. Mas é sempre, sempre algo pior”, escreveu Bauerlein.

Na tentativa de parecer imparcial, o Facebook foi pego mimando canais e páginas inclinados à direita, para evitar que a turma conservadora se manifeste por causa de alegações infundadas de censura anti-conservadora.

Em agosto, uma denúncia do Buzzfeed News detalhou como um funcionário do Facebook foi supostamente demitido após coletar evidências de que a empresa deu tratamento preferencial a páginas de direita. Documentos internos vazados para a NBC também mostraram que o Facebook relaxou seus padrões de verificação de fatos para veículos de notícias conservadores e personalidades, incluindo Breitbart e os ex-Fox News, Diamond e Silk, para que eles não fossem penalizados por espalhar desinformação.

E assim, o Facebook continua a perder a razão no que diz respeito à moderação de conteúdo em sua plataforma, bloqueando a cobertura de canais legítimos e, ao mesmo tempo, falhando em evitar que teorias de conspiração perigosas e desinformação sejam desenfreadas.

[The Wall Street Journal]