Em mais uma iniciativa para tentar reprimir o uso de sua plataforma por interessados em interferir na política de outros países, o Facebook derrubou 652 páginas, grupos e contas em sua rede social e contas no Instagram. As iniciativas vinham do Irã e da Rússia, mas segundo um comunicado, não há relação entre elas.

A empresa alega que as contas praticavam “comportamento não autêntico coordenado”. “Proibimos esse tipo de comportamento porque queremos que as pessoas possam confiar nas conexões que fazem no Facebook”, diz a publicação em seu blog.

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Segundo a rede social, a dica para a investigação foi dada pela empresa de cibersegurança FireEye. As páginas iranianas estavam organizadas em uma rede chamada “Liberty Front Press” — em tradução livre, alguma coisa como “Imprensa do Front da Liberdade”.

Elas publicavam conteúdo político direcionado ao Oriente Médio, à América Latina, aos EUA e ao Reino Unido. Desde 2017, o foco nesses dois últimos países se intensificou.

A investigação da empresa identificou laços estreitos entre a Liberty Front Press e a mídia estatal iraniana, como administradores de páginas, IPs e registros de websites em comum. Ao todo, foram gastos mais de US$ 6 mil em propaganda desde janeiro de 2015. Os pagamentos foram feitos em dólares americanos e dólares australianos.

Uma segunda parte da investigação revelou que, além de publicações políticas coordenadas, feitas por páginas ligadas à Liberty Front Press que se passavam como organizações de mídia, a rede também participou de ataques cibernéticos, como hackear contas pessoais e espalhar malware.

Já uma terceira etapa do inquérito do Facebook revelou outro conjunto de contas e páginas que publicavam conteúdo sobre a política do Oriente Médio em árabe e farsi (outro nome da língua persa, falada no Irã) e sobre a política dos EUA e do Reino Unido em inglês.

Novamente, mais de US$ 6 mil foram usados em propaganda no Facebook e no Instagram, pagos com dólares americanos, liras turcas e rupias indianas, desde julho de 2012.

Além das medidas, o Facebook comunicou os resultados de suas investigações com os governos norte-americano e britânico. Como o Irã é alvo de sanções econômicas, o Departamento de Estado dos EUA e o Departamento do Tesouro também foram informados.

Como nota o The Verge, o Twitter também suspendeu 284 contas. A rede social diz que o motivo foi “participação em manipulação coordenada” e que sua análise aponta que a origem dos perfis era iraniana.

Páginas russas também são removidas

A rede social também removeu páginas, grupos e contas que “podem estar ligados a fontes que o governo americano identificou anteriormente como serviços da inteligência militar russa”.

Segundo o Facebook, não há relações entre essas páginas e as iranianas. A rede social diz que alguns dos envolvidos já haviam participado de ataques à cibersegurança em 2016, antes das eleições americanas, e estão ligados a páginas que espalhavam conteúdo político sobre Síria e Ucrânia, com viés pró-Assad e pró-Rússia.

O Facebook diz que estas investigações ainda estão em curso e, por isso, não divulgará mais detalhes por enquanto.

[Facebook via The Verge]