Atualizado às 10h43 de 26/7 com link de blog post do Facebook e informação de que um agravante para exclusão foi o uso de perfis falsos

Bem, amigos do Gizmodo Brasil. A temporada de eleições está oficialmente aberta. Com o fim da Copa, agora todas as atenções vão ser para o assunto e, no terreno digital, já temos a primeira treta, pois o Facebook excluiu uma rede de páginas e perfis ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre).

Primeiramente, o Facebook informou que desativou 196 páginas e 87 contas no Brasil por participarem de uma “rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem do seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. Na sequência, a agência de notícias Reuters apurou parte de tal rede era administrada pelo MBL.

Facebook diz que vai remover notícias falsas que inspiram violência no mundo real

De forma indireta, o MBL confirmou o que foi dito à Reuters, pois alguns membros do movimento postaram no Twitter que suas contas tinham sido excluídas.

A questão sobre a tal rede, segundo informa a Reuters, é que essas páginas compartilhavam de notícias sensacionalistas a temas políticos de viés conservador, sob os nomes Jornalivre e O Diário Nacional. Essas páginas tinham mais de meio milhão de seguidores. O grande problema aqui é que, ao manipular o controle compartilhado de páginas usando perfis falsos, o grupo poderia divulgar mensagens coordenadas, como se tudo viesse de veículos de comunicação distintos e independentes.

O MBL não comentou a reportagem da Reuters. No entanto, em sua página, informou que “ao contrário do Facebook, a liberdade de expressão e democracia são pilares do MBL” e que o movimento iria “utilizar todos os recursos midiáticos, legais e políticos que a democracia oferece para recuperar as páginas derrubadas e reverter a perseguição sofrida”. O comunicado completo do MBL pode ser acessado na íntegra na página do Facebook deles.

Em 2016, segundo apurou o Gizmodo US, em uma seção de assuntos mais comentados da rede, cuja curadoria era feita por jornalistas, as notícias de conteúdo conservador eram removidas ou despriorizadas. Isso levou a acusações de suposto viés político por parte da empresa nos EUA, e a rede então convidou uma série de políticos conservadores dos EUA para conversas, fez mudanças no algoritmo do feed de notícias e a tensão foi reduzida.

Reflexo do escândalo da Cambridge Analytica

Desde o escândalo da Cambridge Analytica e do uso da rede para influenciar as eleições dos Estados Unidos, o Facebook tem sido alvo de escrutínio em todo o mundo, e não seria diferente por aqui, ainda mais em tempo de eleições, em que tanto se fala de notícias falsas.

A rede social nunca se posicionou publicamente como um publisher (portanto, a empresa nunca pensou que tem responsabilidade pelo que é postado, fora conteúdos que ferem direitos autorais ou violentos), apenas como uma plataforma que as pessoas utilizam para se conectar. Isso parece estar mudando aos poucos, pois o Facebook tem se comprometido em iniciativas para coibir notícias falsas.

Recentemente, em evento para jornalistas, o Facebook disse que a companhia tem como “desafio encontrar um equilíbrio entre defender a liberdade de expressão e criar uma comunidade segura”. Na prática, a rede afirmou que os pilares que sustentariam essa missão seriam: a remoção de páginas e conteúdos duvidosos, redução de alcance e oferta de mais informação para os usuários. Nesse último item, a rede social conta com a ajuda de agências checadoras de notícias, como a Lupa e a Aos Fatos. Fora isso, a empresa terá mais cuidado com anúncios políticos, tornando-os acessíveis por alguns anos.

De qualquer jeito, esse parece ter sido o primeiro ato nas redes sociais envolvendo conteúdos políticos. Com a proximidade das eleições, deveremos acompanhar mais casos e e como os estrategistas serão criativos para driblar os sistemas do Facebook em campanhas de desinformação. Isso se eles não migrarem para o WhatsApp, que recentemente limitou o encaminhamento de conteúdos.

[Reuters]

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