O Facebook está tentando, de forma agressiva, se tornar o principal destino para vídeos na internet. Este ano, a rede social passou a acumular 4 bilhões de visualizações de vídeos por dia. Mas, segundo críticos, este crescimento vem em parte de conteúdo roubado do YouTube.

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A comunidade do YouTube chama o fenômeno de “freebooting”: vídeos que são reenviados para o Facebook sem qualquer link ou atribuição para quem o criou.

E por que fazem isso? Para ganhar atenção: o Facebook não coloca anúncios em vídeos nativos por enquanto; mas os perfis que roubam conteúdo recebem curtidas, compartilhamentos e seguidores – que pode se converter em dinheiro de alguma forma.

Por exemplo, o cantor Tyrese Gibson tem o péssimo hábito de republicar vídeos de outras pessoas na página dele. E em cada um, ele coloca uma divulgação do próprio álbum, ou um link para o iTunes. O perfil tem 26 milhões de curtidas.

Isso irrita criadores de conteúdo porque os vídeos deles têm um alcance enorme no Facebook, e eles não ganham nem um centavo por isso. O Slate explica:

… Grant Thompson, do canal The King of Random, me disse que ele recebe e-mails quase todos os dias de assinantes que encontram versões piratas de seus vídeos no Facebook. Em maio, ele postou um vídeo no YouTube sobre como fazer balas de goma em forma de Lego, e acumulou cerca de 600 mil visualizações nas primeiras 24 horas. Enquanto isso, no Facebook, a versão roubada no perfil de outra pessoa estava se aproximando de 10 milhões de visualizações.

Até perfis de empresas fazem isso. Destin Sandlin, do canal SmarterEveryDay, conta ao Slate como isso aconteceu com ele:

… a revista britânica masculina Zoo aparentemente baixou o vídeo dele do YouTube, editou para retirar referências a Sandlin e a seu canal SmarterEveryDay, e postou a versão editada em sua própria página, usando o player de vídeo nativo do Facebook. Foi um sucesso instantâneo, rendendo milhões de visualizações e uma série de novos seguidores para a página da Zoo.

Há alguns motivos para vídeos serem tão bem-sucedidos no Facebook. Primeiro, eles são reproduzidos automaticamente por padrão; é preciso ir até as configurações para mudar isso. Segundo, a rede social ajustou o algoritmo para exibir cada vez mais vídeos no feed dos usuários.

E à medida que o Facebook tenta se tornar a internet, ele dá cada vez menos estímulos para você sair do feed. Os vídeos do YouTube aparecem como uma miniatura que você precisa clicar para assistir, correndo o “risco” de ver anúncios; os vídeos do Facebook já estão lá, sem anúncios (por enquanto), prontos para serem vistos.

Segundo a consultoria SocialBakers, apenas 25% dos vídeos no Facebook eram nativos no ano passado; isso saltou para 70% este ano. E parte disso veio de conteúdo “ripado” do YouTube.

O que fazer?

George Strompolos é CEO da Fullscreen, que opera uma grande rede de canais do YouTube, e ele diz no Twitter que isso precisa parar. Ele pede por métodos para identificar vídeos pirateados, e também pede por anúncios nos vídeos – é assim que os criadores ganham dinheiro.

O Facebook tem uma ferramenta automática para identificar vídeos que violem direitos autorais. Por exemplo, eu tentei enviar um trecho do trailer de Exterminador do Futuro: Gênesis – era uma introdução para este vídeo – e ele foi removido imediatamente porque tinha conteúdo protegido.

A rede social também oferece um formulário para solicitar a remoção de vídeos, mas Strompolos diz que custaria muito ir atrás dos piratas um a um. É ainda mais difícil processar os donos das páginas: o advogado de Destin Sandlin diz ao Slate que o fenômeno é muito recente, então falta precedente jurídico.

Em comunicado à Variety, o Facebook diz que usa reconhecimento de conteúdo da Audible Magic “para ajudar a impedir conteúdo de vídeo não autorizado”; e suspende contas de usuários com repetidas violações de propriedade intelectual.

A rede social também promete combater os piratas mais fortemente a partir deste trimestre: “estamos explorando ativamente novas soluções para ajudar donos de propriedade intelectual a identificar e gerenciar conteúdo potencialmente infrator”.

O YouTube adota uma solução que parece mais eficaz: segundo o Google, o Content ID recebeu mais de US$ 60 milhões em investimento, e gerou mais de US$ 1 bilhão para os donos dos vídeos desde seu lançamento em 2007.

É curioso lembrar que o YouTube foi acusado, em seu início, de manter vídeos que violavam direitos autorais para conseguir mais usuários e visualizações. O Facebook parece estar repetindo a estratégia, mas quanto tempo isso vai durar? [Slate e Variety]

Foto por Marcin Wichary/Flickr