A Nike quer revolucionar a maneira como vemos os tênis. Ok, essa afirmação soa exagerada — como quase todo uso atual do verbo revolucionar —, mas no fundo é a ideia que a empresa tem por trás de seu HyperAdapt 1.0 e do mecanismo de ajuste automático aos pés que introduz com o modelo. O objetivo a longo prazo é levar a tecnologia para os calçados de performance, em esportes, em que o conceito parece ter seu propósito mais relevante.

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O HyperAdapt 1.0, como já mostramos várias vezes por aqui, é o tênis que “se amarra sozinho” da Nike que toma como inspiração o Air Mag, do clássico De Volta Para o Futuro — utilizado na produção por Marty McFly, interpretado por Michael J. Fox. Mas a ligação entre os dois para por aí.

O Air Mag já foi recriado em 2011 e teve 1,5 mil pares vendidos no mundo. Entretanto, aquele modelo trazia apenas o design do calçado e os painéis de LED, sem a tecnologia de amarração automática. Essa veio pela primeira vez em um modelo de Air Mag criado especialmente para Michael J. Fox, que, diagnosticado com Parkinson, revelava ter dificuldades para amarrar seus sapatos.

Curiosamente, “De Volta Para o Futuro” não é a única fonte da qual a Nike bebe para o seu HyperAdapt. A empresa revelou que o filme Wall-E também inspirou o tênis. Ao calçá-lo, suas luzes se acendem, e a Nike buscou aqui passar a ideia de que é como se ele estivesse ganhando vida, como o simpático robô do filme de 2008.

O HyperAdapt 1.0 é o primeiro calçado com ajuste elétrico a chegar às prateleiras. Lançado inicialmente em dezembro de 2016 lá fora, o tênis chega agora ao Brasil, por nada módicos R$ 3.499, em edição limitada. Em evento realizado em São Paulo nesta quarta-feira (23), cerca de 50 pessoas selecionadas a partir de parceria com a SneakersBR puderam ser as primeiras a garantir o calçado no Brasil. A partir desta quinta-feira (24), ele está à venda na Nike Store da Oscar Freire, em São Paulo, e também para membros do Nike.com. Por fim, na sexta-feira (25), as unidades que ainda estiverem à disposição podem ser adquiridas no Nike.com/nikelab.

Além da versão preto com branco, o HyperAdapt 1.0 está disponível na cor branca (Imagem: Leo Escudeiro/Gizmodo Brasil)

A Nike não tenta disfarçar o custo altíssimo de seu HyperAdapt 1.0. A empresa reconhece que ele é para um público bastante selecionado e especificamente vidrado em ter edições limitadas de tênis, e a ideia é entender o feedback desse público brasileiro que pode bancá-lo. Mas por trás de seu lançamento, existe uma ideia a longo prazo de levá-lo a uma área em que sua função futurista terá um uso além da curiosidade de ver tênis que se amarram sozinhos: introduzi-los em quadras e outros locais de prática de esportes.

O exemplo dado pela Nike durante o evento foi o do HyperAdapt 1.0 durante uma partida de basquete. Nela, o jogador, quando em quadra, tem seu calçado devidamente encaixado e adaptado ao molde de seus pés e, quando no banco de reservas, descansando, os calçados também dão uma aliviada, afrouxando dos pés. A empresa faz questão de ressaltar que o HyperAdapt 1.0 é para uso casual, mas que o caminho natural da tecnologia dentro da companhia é chegar aos calçados feitos tendo em vista a performance.

Usando o tênis que se amarra sozinho

O Gizmodo Brasil teve a oportunidade de provar o HyperAdapt 1.0, e a primeira impressão é de maravilha. Logo ao calçar um dos pés e me levantar, o tênis se ajustou aproximadamente ao molde do meu pé. A partir daí, você usa os botões na lateral do calçado para fazer o ajuste final, e, pronto, o tênis memoriza a melhor maneira de se encaixar no seu pé. No meu caso, que calço 40, mesmo o modelo 42 ficou bastante confortável, e a pisada era também muito suave. Afinal, o propósito desse negócio não é se ajustar ao pé?!

Depois de ajustado aos pés, não se preocupe, o HyperAdapt 1.0 não irá piscar como tênis de criança (Imagem: Leo Escudeiro/Gizmodo Brasil)

Caso você queira emprestar os tênis a um amigo, é necessário segurar o botão inferior por dez segundos para que a memória de seu pé seja esquecida e o HyperAdapt 1.0 esteja resetado.

Para fazer sua mágica, o tênis conta com uma bateria na sola cuja recarga leva cerca de três horas. A carga completa garante ao HyperAdapt 1.0 uma autonomia de aproximadamente duas semanas para quem o utilizar diariamente. Um suporte magnético, como aqueles vistos na recarga de smartwatches, é responsável pelo processo. Mas tenha cuidado com ela: não vá ficar brincando muito com os botões de apertar e afrouxar! A Nike recomenda que você não o faça por mais de um minuto, sob o risco de fritar a bateria do tênis.

Por se tratar de um sistema elétrico, a Nike aconselha também ter cuidado com o contato com a água em excesso. Não tem problema se caírem algumas gotas de chuva nele, mas ele pode apresentar problemas se for encharcado num balde ou durante uma enchente, por exemplo. As instruções de lavagem, portanto, são bem específicas.

No fim das contas, o Nike HyperAdapt 1.0 tem uma tecnologia que chama a atenção e promete para o futuro, mas ainda é um item de colecionador de preço extravagante e com um público muito específico em mente. Se você faz parte dele e ama aumentar sua coleção de calçados, provavelmente gostará do que ele tem a oferecer. Se, como eu, não tem condições algumas de dar R$ 3.499 em um tênis, resta a você esperar talvez mais de uma década por esse futuro maravilhoso em que nossos tênis se ajustam aos nossos pés sem nos custar os olhos da cara.