A partir da próxima terça-feira, a FIFA irá testar no Catar, na Copa Árabe, um sistema de inteligência artificial para auxiliar a arbitragem na marcação do impedimento, ponto mais polêmico desde a disseminação do VAR (o “árbitro de vídeo”) nos últimos anos.

Dependendo do sucesso dos testes, o passo seguinte é utilizar a tecnologia na Copa do Mundo do próprio Catar em 2022. 

Como vai funcionar

A tecnologia consiste em 12 câmeras que monitoram a todo momento 29 pontos no corpo dos jogadores. A partir disso, o algoritmo é capaz de mapear a posição exata dos jogadores em campo, determinar a posição da bola e identificar o momento exato do passe.

Deste modo, segundo informações da entidade máxima do futebol, o sistema consegue identificar um lance de impedimento em até 0,5 segundos. 

Após detectar a jogada irregular, os assistentes de vídeo da arbitragem receberão uma notificação do sistema. No entanto, o que prevalecerá nesses momentos é a decisão do árbitro de campo, sempre soberana no futebol.

O sistema já foi testado algumas vezes em estádios como o Allianz Arena, do Bayern de Munique (Alemanha), Etihad Stadium, do Manchester City (Inglaterra), e Ramón Sánchez Pizjuán, do Sevilla (Espanha).

Menos polêmica no VAR

Mesmo que lentamente, não é de hoje que a FIFA busca novas tecnologias para modernizar o futebol e diminuir falhas que ofusquem o espetáculo. Um bom exemplo é o polêmico árbitro de vídeo (VAR) utilizado pela primeira vez numa Copa do Mundo em 2018.

O VAR auxilia o árbitro de campo nos lances em que seu posicionamento não é dos melhores para ver uma irregularidade ou infração, além de marcações equivocadas que acabam “voltando atrás”. Mas um aspecto que segue um alvo de críticas são os erros humanos e lances interpretativos, principalmente quanto ao momento certo de traçar a linha do impedimento, aquele momento que acaba exaustivamente discutido em programas esportivos e nas mesas de bar.

Outro recurso

Outra tecnologia excelente para o futebol é a Goal-Line Technology (Tecnologia Linha de Gol) que notifica o árbitro principal da partida quando a bola ultrapassa totalmente a linha do gol, evitando erros absurdos como o famoso “gol fantasma” do inglês Geoff Hurst em Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental na final da Copa do Mundo de 1966.

O lance em questão foi uma finalização de Hurst, artilheiro e campeão da Copa daquele ano, que atingiu o travessão e caiu em cima da linha. O gol que não aconteceu, mas foi validado pelo juiz e confirmado pelo assistente, se transformou em uma das maiores “lambanças” de arbitragem na história.

Fato é que todas as mudanças que acontecem no futebol geram enormes discussões e resta saber se a inteligência artificial será suficiente para eliminar os erros de arbitragem nos lances de impedimento. Ou será apenas mais um assunto polêmico para debates acalorados entre os amantes do futebol.

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