No começo deste ano, o destino da Fitbit parecia incerto. Em 2019, a empresa foi comprada pelo Google por US$ 2,1 bilhões – uma negociação que deixou usuários de longa data da Fitbit preocupados com privacidade de dados. Após a aquisição surgiram reportagens sobre vendas decepcionantes do Versa Lite – um golpe para a companhia, dado o sucesso do smartwatch Versa.

Agora, no primeiro dispositivo sob o guarda-chuva do Google, a Fitbit está apostando muitas fichas na Charge 4. A pulseira de atividade física mais popular da empresa agora vem com GPS embutido, pagamentos via NFC, compatibilidade com Spotify e um novo foco em minutos ativos, além da contagem de passos.

A indústria de vestíveis tem apostado nos smartwatches, mas não é surpreendente que a Fitbit foque em sua pulseira fitness. Muita gente ainda prefere uma dessas porque são mais baratas, mostram as notificações do celular e tem funcionalidades de rastreamento de treinos – funções também presentes nos smartwatches.

Além disso, a companhia sempre liderou o mercado de pulseiras fitness. A Charge 3, apesar de ser um bom aparelho, era meio entediante – as atualizações se resumiram a uma tela touchscreen melhor e resistência à água.

A Charge 4, no entanto, tem mais substância. Para começar, ele é um monitor de atividade física que custa US$ 150 (R$ 780, na cotação atual) e tem GPS embutido. Para os smartwatches, essa função já existe há muito tempo, mas é notável para um dispositivo mais simples, já que a maioria das pulseiras optam por obter dados de GPS a partir do seu celular.

A diferença nos resultados pode variar de acordo com o produto que você comprar e do celular – alguns são extremamente precisos, outros mandam dados imprecisos. A adição do GPS na Charge 4 o transforma numa alternativa muito mais barata aos relógios caríssimos – e numa plataforma conhecida, com uma comunidade ativa.

Além dos mais de 20 modos de exercícios que já estão disponíveis, a Fitbit irá adicionar 7 modos específicos que se beneficiam dos dados de GPS, como caminhadas, corridas e caminhadas ao ar livre. Eu fiquei bastante interessada, no entanto, nos mapas de calor que usam as informações do GPS – deste modo, você pode ver exatamente qual parte do seu treino te fez suar mais, por exemplo.

Não é uma funcionalidade única da Fitbit – funcionalidades similares estavam disponível no Timex Ironman GPS R300 I, por exemplo. No entanto, é uma função mais avançada que pode permitir que a Fitbit compita com mais relógios de atividade física mais específicos e mais caros para caminhadas ou corrida.

A Fitbit também está usando o lançamento da Charge 4 para lançar uma nova métrica de exercícios, chamada Active Zone Minutes. Ela rastreia o tempo gasto em zonas específicas de freqeência cardíaca para determinar se você fez progressos em relação aos 150 minutos de exercício moderado por semana recomendados pela Organização Mundial de Saúde.

Active Zone Minutes

Você ganha créditos por cada minuto de atividade moderada na zona de queima de gordura e dobra o crédito por cada minuto nas zonas de cardio ou de pico mais vigoroso. No passado, fui crítica em relação ao foco do Fitbit nos passos – esse famoso objetivo de 10.000 passos é mais sobre marketing do que pesquisa científica, e os benefícios de saúde associados a esse objetivo são duvidosos. É uma pequena mudança, mas importante para realmente ajudar as pessoas que querem melhorar significativamente a sua saúde.

Essas são as grandes atualizações, mas estão longe de ser as únicas. A Charge 4 também receberá o recurso de alarme Smart Wake da Fitbit – um alarme que o acorda na hora ideal do ciclo de sono – assim que a função for disponibilizada (ainda sem data).

Além disso, a Fitbit lançou recentemente um Gráfico de Variação Estimada de Oxigênio em seu aplicativo, que finalmente faz uso do sensor Sp02 que está incluído em seus dispositivos desde o Ionic. De acordo com o comunicado de imprensa da empresa, todos os dispositivos Charge 4 também virão com pagamentos NFC via Fitbit Pay. E, como na Charge 3, a duração da bateria permanece estimada em 7 dias com uma única carga, o que é impressionante dado que o GPS incorporado costuma gastar bastante energia.

Por último, a Fitbit também anunciou novidades em seus serviços pagos. Enquanto uma assinatura Fitbit Premium normalmente custa US$ 10 (R$ 52) por mês ou US$ 80 (R$ 415) por ano, à luz do distanciamento social causado pelo novo coronavírus, a Fitbit está agora oferecendo “40 novos itens de conteúdo Premium grátis no aplicativo”.

O teste gratuito será extendido para 90 dias para novos usuários, que inclui exercícios de canais fitness como barre3, Daily Burn, obé fitness, Physique 57, Popsugar, e Yoga Studio: Mente & Corpo. A empresa irá oferecer um teste gratuito de 90 dias do Fitbit Coach, que inclui exercícios por streaming. O fato de esses testes gratuitos coincidirem com o lançamento da Charge 4 é uma jogada inteligente de marketing.

Uma coisa importante: embora a Charge 4 tenha GPS incorporado, isso não quer dizer que é um dispositivo independente do seu smartphone, a menos que você não goste de se exercitar com músicas ou podcasts. Tal como no Versa 2, a Charge 4 tem suporte ao Spotify, mas as playlists offline ainda não são uma opção.

Fitbit Charge 4 e suas pulseirasEm termos de design, em time que está ganhando não se mexe. Imagem: Fitbit

A Charge 4 está disponível em pré-venda nos EUA, pelo site da Fitbit e alguns varejistas. O modelo base custa US$ 150 (R$ 780), nas cores preta, jacarandá e azul tempestade.

Haverá também uma Edição Especial um pouco mais cara por US$ 170 (R$ 885), que inclui uma pulseira extra. Antes da Charge 4, os pagamentos via NFC eram exclusivos para as Edições Especiais, mas isso já não é mais o caso.

Precisamos testar a Charge 4 para ver vale mesmo a pena, mas no papel, parece promissora. Essa Fitbit dobra todas as apostas em um de seus dispositivos mais populares e provavelmente é um indicador de que a companhia precisa que a Charge 4 se saia bem – especialmente após a aquisição do Google.

O dispositivo e as suas atualizações de software provavelmente estavam sendo desenvolvidas antes de o Google comprar a empresa, o que nos deixa ainda sem rumo sobre como será a era Fitbit-Google. Mas se a Charge 4 se sair bem, os fãs podem ficar mais tranquilos com o futuro da empresa – mesmo que a empresa agora possua os seus dados.