A Epic Games, empresa desenvolvedora do Fortnite, anunciou que está processando Apple e Google após as companhias removerem seu título de suas lojas de aplicativo nesta quinta-feira (13).

Antes de dar detalhes disso, é necessário contar um pouco da história. Tudo começou com a Epic Games que introduziu uma opção de os jogadores comprarem V Bucks, um moeda do Fortnite, direto de uma plataforma sua, e não dentro das lojas de apps, como exigem Apple e Google. A cada compra feita dentro de uma loja de aplicativo, Apple e Google ficam com uma porcentagem da transação.

Apple e Google ficam com 30% da receita de um jogo como uma taxa para estarem em suas lojas. As regras da Play Store, por exemplo, são bem claras quanto a isso:

“Os desenvolvedores que oferecem produtos em um jogo baixado no Google Play ou fornecem acesso ao conteúdo do jogo devem usar o faturamento no aplicativo do Google Play como método de pagamento”.

A diferença é que é impossível de instalar Fortnite em um iPhone sem recorrer à App Store, a não ser que tenham feito jailbreak nele. Já na plataforma do Google, é possível instalar jogos de fora da Play Store, inclusive baixando do próprio site da Epic Games ou da Galaxy Store, da Samsung.

Argumentos da Epic Games

O resultado desta briga tem sido um bom entretenimento nestes tempos de quarentena: a Apple rapidamente tirou o Fornite de sua loja, então a Epic revidou organizando um evento no jogo para exibir um vídeo satirizando o icônico comercial da Apple de 1984 para mobilizar sua base de fãs contra a empresa, lançando uma hashtag #FreeFortnite.

contra o Google, a ação da Epic Games tenta usar um mote antigo do Google que dizia “Não seja mal” (“Don’t be evil”).

“Vinte e dois anos depois, o Google relegou o seu lema a quase um segundo plano e está usando seu tamanho para fazer mal aos concorrentes, inovadores, consumidores e usuários em uma série de mercados que passou a monopolizar”, argumenta o processo.

Em um e-mail enviado ao Gizmodo, o Google enfatizou que o ecossistema aberto do Android permite várias lojas que os desenvolvedores podem escolher para hospedar seus aplicativos.

“Embora o Fornite continue disponível no Android, não podemos mais disponibilizá-lo na Play Store porque viola nossas políticas. No entanto, agradecemos a oportunidade de continuar nossas discussões com a Epic Games e trazer o Fortnite de volta à nossa loja”, disse um porta-voz do Google.

Com tudo isso, parece que a Epic está deixando claro que quer que a Apple siga o exemplo do Google e “abra” seu ecossistema, especialmente devido à pressão crescente de fãs furiosos de Fortnite. Mas considerando toda a repercussão dessas ações, qualquer caminho para uma loja de aplicativos iOS dedicada da Epic Games será uma jornada amarga e bruta para todos os lados.

O caso da Epic contra o Google provavelmente será mais complicado, já que a empresa tem restrições mais flexíveis em sua plataforma comparado com a Apple, permitindo apps de terceiros e carregados diretamente no Android. No entanto, a reclamação da Epic afirma que o Google fez da Play Store a vanguarda para usuários Android, apesar dessas opções adicionais disponíveis para desenvolvedores de aplicativos:

“Apesar de suas promessas de tornar os dispositvos Android abertos à competição, o Google ergueu barreiras contratuais e tecnológicas que excluem formas concorrentes de distribuição de aplicativos para usuários Android, garantindo que a Play Store contabilize quase todos os downloads de apps de lojas de aplicativos em dispositivos Android”

Talvez a Epic Games não crie uma campanha contra o Google, como fez contra a Apple. Porém, uma coisa certa: esta briga deve durar um bom tempo e, por enquanto, quem perde são potenciais novos consumidores do Fortnite, já que o jogo ainda funciona normalmente para quem já o tem baixado no celular.