Ashley Poust, paleontólogo do Museu de História Natural de San Diego, estava examinando a coleção de fósseis da instituição quando se deparou com uma mandíbula que ainda não havia sido identificada pelos cientistas. 

A peça em questão havia sido encontrada na década de 1980 em um canteiro de obras no sul da Califórnia, nos EUA. Na época, a mandíbula foi dada como pertencente a uma nova espécie de Nimravidae – mamíferos carnívoros similares a tigres dentes-de-sabre.

Um estudo recém publicado na revista científica PeerJ mostra que o fóssil é bem mais relevante do que aparentava ser. A mandíbula data de 42 milhões de anos atrás, sendo a primeira evidência de um dente-de-sabre na Terra. 

Mandíbula dente de sabre
Mandíbula da espécie Diegoaelurus vanvalkenburghae. Imagem: San Diego Natural History Museum/Reprodução

A espécie, que aponta para um dos primeiros mamíferos carnívoros do planeta, recebeu o nome de Diegoaelurus vanvalkenburghae. Ela fazia parte de um grupo de animais ainda pouco conhecido, chamado de Machaeroidines.

O felino tinha o tamanho de um lince. Logo, os pesquisadores não acreditam que ele estivesse caçando grandes animais, como rinocerontes. Na verdade, é possível que o dente-de-sabre tenha utilizado suas mandíbulas para pegar primatas nas florestas tropicais do período Eoceno.

A espécie está relacionada a um outro animal chamado Apataelurus kayi, que foi descoberto no estado americano de Utah. Mas esse não é considerado um dente-de-sabre.

O D. vanvalkenburghae, por sua vez, traz dentes de sabre na frente e dentes similares a tesouras no fundo de sua mandíbula. Isso aponta para um animal capaz de viver exclusivamente da carne em um momento em que os mamíferos estavam apenas começando a aderir essa dieta.