Uma mudança de regras vinda do governo pode ter custado até 4.000 empregos. Depois que reduziu-se a exigência de certos componentes nacionais em celulares, várias empresas começaram a demitir na Zona Franca de Manaus, e a Foxconn fechou uma de suas fábricas por lá.

É um pouco estranho ver o governo aprovando medidas que liberem a importação de peças. Para conceder benefícios fiscais aos tablets, por exemplo, o governo exige pelo menos 20% de componentes fabricados no Brasil, percentual que aumenta para 80% até 2015. Uma medida semelhante deve valer para incluir os smartphones na Lei do Bem.

Para receber benefícios fiscais do governo, as fabricantes de celular precisam usar, em parte, componentes fabricados no Brasil. Isso inclui peças de plástico, tal como carcaça e teclas de navegação.

No entanto, o governo mudou o PPB (processo produtivo básico) e reduziu as exigências mínimas de componentes de plástico fabricados no Brasil. Com isso, a Nokia – para quem a fábrica da Foxconn fornecia peças de plástico – decidiu importar as peças da China e da Índia.

Resultado: a fábrica da Foxconn, em operação há cinco anos, entrou em crise e foi fechada. Eis o que a empresa diz em comunicado, segundo a Folha:

A fábrica produzia peças para 16 itens dos aparelhos da Nokia. Após a alteração [do PPB], passou a ter dez itens e chega ao fim das atividades com seis, restando para o próximo ano apenas quatro itens.

Desde o início do ano, a fábrica reduziu seu quadro de funcionários de 700 para 280 empregados. E nesta sexta-feira, demitiu todo mundo. (As seis fábricas em São Paulo – incluindo as que produzem itens da Apple – não foram afetadas.)

O impacto na mudança do PPB atingiu mais pessoas, no entanto: o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Material Plástico de Manaus diz à Folha que, dos 12.500 funcionários do setor, 4.000 foram demitidos este ano.

No início do mês, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) já se mexia para alterar o PPB de forma a evitar a fuga de empresas, e promete formalizar uma proposta que mude o PPB a fim de proteger o setor plástico da Zona Franca de Manaus.

Os ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia dizem à Folha que as mudanças no PPB atendem às demandas das fabricantes, e dizem estudar medidas “para aumento do valor agregado nacional” na indústria de plásticos. A Nokia do Brasil, por sua vez, diz que o fechamento da fábrica não afetará sua produção de celulares na Zona Franca de Manaus. [Folha, A Crítica, Em Tempo]

Foto por Nadkachna/Wikimedia