O HIV é menos fatal do que antigamente graças a novos tratamentos. Ainda assim, o vírus continua a se espalhar – cerca de 1,9 milhão de pessoas são infectadas a cada ano. Um novo implante quer mudar isso.

Parte do motivo para a disseminação do HIV é a pobreza. O número de vítimas é mais alto em regiões economicamente mais vulneráveis, como a África subsaariana, que não dispõem de recursos para distribuir amplamente os medicamentos e os recursos de saúde necessários para manter o vírus sob controle.

Outro problema, porém, parece muito mais simples de tratar: pode ser difícil se lembrar de tomar uma pílula todos os dias, como é necessário com remédios para prevenção do HIV e com remédios tomados por pessoas diagnosticadas com o vírus.

Aí entram os implantes. A empresa de biotecnologia Intarcia Therapeutics anunciou um investimento de até US$ 140 milhões feito pela Bill & Melinda Gates Foundation em uma pequena bomba implantável de remédio que está sendo desenvolvida para ajudar a prevenir a propagação do HIV e da AIDS.

Segundo o Wall Street Journal, a bomba pode conter um suprimento de até um ano de remédio de prevenção do HIV, entregue continuamente aos pacientes em microdoses para se certificar de que eles permanecem no tratamento.

Por exemplo, a Truvada – pílula diária para prevenção do HIV – reduziu o risco de infecção em mais de 90% em ensaios clínicos. Mas como Emilio Emini, diretor do programa de HIV da Gates Foundation, diz ao WSJ, “sua eficácia no mundo real é muito menor” porque exige que as pessoas saudáveis ​​se lembrem de tomar uma pílula todos os dias.

A Intarcia não é a única entidade interessada em explorar estratégias mais eficazes para o fornecimento de medicamentos para o HIV. Em 2015, cientistas do Instituto Oak Crest para a Ciência publicaram um artigo sobre um implante de tamanho de um palito de fósforo desenvolvido para esse propósito.

Como está claro que os remédios de prevenção do HIV podem ser eficazes, muitos cientistas agora estão focados em encontrar um método melhor de inseri-los no corpo – seja com implantes, injeções, ou até mesmo uma vacina.

A Intarcia ainda não sabe qual remédio será usado em sua bomba, e enquanto os testes iniciais são promissores, vai demorar alguns anos até que ela esteja disponível no mercado. Uma versão da bomba para medicamentos para diabetes, no entanto, está atualmente sob análise da FDA (órgão americano equivalente à Anvisa) e poderia chegar ao mercado até o final de 2017.

[Wall Street Journal]

Imagem via Wikimedia Commons