Uma reavaliação feita em antigos estudos aponta que desde a década de 1960, os gatos domésticos possuem cérebros menores que seus ancestrais selvagens.

Na época, foram feitos estudos que comparavam o animal moderno ao gato selvagem europeu (Felis silvestris), sugerindo a diferença de tamanho dos órgãos.

Hoje em dia, sabe-se que o gato selvagem europeu sequer é ancestral direto do gatinho que temos em casa, o que torna essas antigas afirmações desatualizadas.

Agora, pesquisadores da Universidade de Viena, na Áustria, resolveram repetir os testes para confirmar se houve uma diminuição do cérebro dos gatos ao longo da história. 

O gato selvagem europeu foi usado novamente de comparativo, mas não sozinho. Desta vez, os cientistas também estudaram o gato selvagem africano (Felis lybica), tido como o parente mais próximo dos gatos modernos com base em análises genéticas. O estudo completo foi publicado na Royal Society Open Science.

Foram analisados, no total, 103 crânios de gatos. Para simular o tamanho do cérebro, os pesquisadores enchiam os crânios com miçangas de um milímetro e pesavam o conteúdo final.

O resultado bateu com o esperado: os gatos domésticos possuem cérebros até 25% menores do que as outras duas espécies.

O gato selvagem africano, por sua vez, fica no meio do caminho entre o gato selvagem europeu e o felino moderno.

O tamanho do cérebro dos gatos não tem a ver com a inteligência do animal. Na verdade, está mais relacionado com o fato dos gatos terem se tornado mais mansos nos últimos 10 mil anos. 

De acordo com os pesquisadores, a domesticação parece ter levado a animais que não hesitam tanto frente à ameaças (como os humanos) e têm menos medo. A mutação relacionada ao sistema nervoso que ocasionou a prevalência deste comportamento parece ter também afetado a morfologia do cérebro –e gerado os nossos pets de hoje.