Ciência

Gelo marinho da Antártida sofre mais baixo registro de inverno desde 1979

Durante a estação fria, quando as calotas de gelo estão maiores, elas apresentaram uma diminuição de 16 milhões de quilômetros quadrados
Imagem: Henrique Setim/ Unsplash/ Reprodução

As calotas de gelo normalmente atingem seu maior tamanho durante os meses mais frios. Contudo, neste ano, as calotas de gelo marinho ao redor da Antártida tiveram a menor área já registrada durante o período de inverno.

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De acordo com o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC, na sigla em inglês), a superfície sólida de água da região atingiu o tamanho máximo de 16,96 milhões de quilômetros quadrados em 10 de setembro. 

Este provavelmente é o seu tamanho máximo este ano. Agora, com a chegada da primavera no hemisfério sul, a tendência é que as temperaturas subam e, com isso, as calotas de gelo fiquem menores.

Recorde que preocupa

Em geral, este é o menor tamanho desde que a quantidade de gelo da Antártida começou a ser registrada, em 1979. 

Quando comparado à medição do ano passado, percebe-se que as calotas diminuíram em cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados – uma área um pouco menor que o estado do Pará, por exemplo.

Esse é o segundo recorde que as calotas de gelo da Antártida batem em 2023. Em fevereiro, no auge do verão do hemisfério sul, a superfície havia atingido uma extensão mínima de 1,79 milhão de quilômetros quadrados. 

Depois disso, com a chegada de estações mais frias, a calota de gelo voltou a crescer. Mas isso aconteceu em um ritmo mais lento que o comum, o que fez com que seu tamanho não voltasse ao normal nem no ápice do inverno.

Causas e consequências

A diminuição das calotas de gelo da Antártida segue uma tendência que se estabeleceu desde agosto de 2016. A partir de então, houve queda acentuada em praticamente todos os meses, segundo o NSIDC. 

Pesquisadores ainda estão buscando evidências do porquê isso está acontecendo, uma vez que modelos climáticos tiveram dificuldade no passado para prever mudanças na calota de gelo da Antártida

Contudo, a maioria deles considera que o fenômeno está relacionado ao  aquecimento na camada superior do oceano. Isso, por sua vez, tem relação com as mudanças climáticas.

E a relação pode ser uma via de mão dupla. Embora o derretimento das calotas de gelo não tenha impacto imediato sobre o nível do mar, ele muda a maneira como os raios solares são recebidos na região.

O gelo branco reflete mais dos raios solares do que a água do oceano, que é mais escura. Dessa forma, a perda das calotes acentua o aquecimento global.

Além disso, o derretimento também expõe o litoral da Antártida a uma maior ação das ondas, o que poderia desestabilizar a capa de gelo de água doce e ameaçar os habitats costeiros.

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Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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