A Netflix reina quase absoluta no mercado de streaming de vídeo no Brasil, e isso pode representar uma oportunidade de mercado para outras empresas aparecerem como concorrentes. É o que pretende fazer a Globo, por exemplo. Durante o PAY-TV Forum 2018, João Mesquita, diretor geral do Globoplay, falou sobre o plano de ampliação do Globoplay em que a emissora tem trabalhado e que deverá contar com conteúdo próprio, além de séries internacionais.

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O conteúdo da nova plataforma traria tudo aquilo que já é disponibilizado gratuitamente pela Globo na internet, programas já exibidos na emissora e depois colocados no Globoplay, e também conteúdos exclusivos para os assinantes da nova plataforma, como capítulos recentes de novelas e produções inéditas. Isso não interferiria, no entanto, em serviços da Globosat já disponíveis online, como o Telecine Play.

O catálogo contaria ainda com séries internacionais relevantes, com três nomes de peso sendo mencionados: The Handmaid’s Tale, The Good Doctor e The Big Bang Theory. Os conteúdos, além dos originais do grupo Globo, seriam adquiridos de estúdios internacionais e empresas menores europeias e de outros lugares do mundo, segundo o site Tela Viva. “Confiamos de forma sólida na capacidade de produção do Grupo Globo, seja Globo ou da Globosat. Todos os braços somam conteúdo muito rico. Nos permite ter uma chance de chegar a todos os targets”, disse João Mesquita, em declaração publicada pelo Tela Viva.

Parte dos conteúdos já está disponível aos assinantes atuais do Globoplay, segundo a Folha de S.Paulo, porém, as produções mais relevantes devem entrar gradativamente até dezembro.

O portal especializado em televisão aponta ainda o canal Gloob como um exemplo de uma possível primeira janela para alguns conteúdos do novo serviço. O canal está no Globoplay e, inclusive, já conta com conteúdo exclusivo para a plataforma online.

A Netflix teve tempo de sobra para se estabelecer no mercado brasileiro, e a chegada da plataforma da Globo pode parecer tardia, mas João Mesquita vê o aparente atraso como uma janela de aprendizado. A emissora entende que o fato de atualmente o segmento de streaming ser todo dominado por um só serviço permite a entrada de “mais dois a quatro concorrentes” facilmente, nas palavras de Mesquita, reproduzidas pelo Tela Viva.

O Globoplay atualmente alcança 20 milhões de pessoas por mês, e o desafio agora é fazer essas pessoas pagarem por um conteúdo diferenciado. A futura assinatura não tem valores definidos, mas deverá ser um pouco mais que os R$ 18,90 atuais do Globoplay, mas ainda no patamar do que cobra hoje a Netflix, cujos planos vão de R$ 19,90 a R$ 37,90.

[Tela Viva]

Imagem do topo: Interface do Globoplay atualmente na Apple TV/Divulgação