Mais de 90% da receita do Google vem de anúncios: eles são o ganha-pão da empresa. E segundo o USA Today e Wall Street Journal, ela está criando um substituto para os cookies de navegador: o AdID é, basicamente, um super-cookie com sabor de propaganda.

Boa parte do conteúdo na web é gratuito, mas há custos para produzi-lo e hospedá-lo em servidores. Isto, em geral, é pago através de anúncios. Quanto mais personalizados, mais eles atraem cliques e dinheiro.

E como eles são direcionados para você? Através do cookie: um pequeno arquivo que guarda um número de identificação. Ele é enviado para o servidor, e permite saber quais páginas você visitou, para entender melhor seus gostos pessoais e direcionar anúncios para você.

Hoje, cada site precisa usar um cookie próprio, e não tem como saber da sua navegação em outros sites, o que poderia ajudar a entender melhor seus gostos.

O Google pretende reinventar o cookie através do AdID: um identificador anônimo para cada pessoa, que seria utilizado por diferentes sites. Basicamente, seria uma forma de unir todos os diferentes cookies de anunciantes em um só.

Parece prático! Mas isso poderia dar mais poder ao Google, que já domina a indústria da propaganda; e talvez preocupe usuários com questões de privacidade.

No entanto, com o AdID, seria possível limitar o rastreamento direto nas configurações do navegador, diz uma fonte ao USA Today. Além disso, o Google só autorizaria certas empresas a acessarem o AdID – e você poderia escolher quais delas teria acesso ao seu identificador.

O AdID surge em meio a um embate contínuo entre navegadores e anunciantes. A Mozilla deve, ainda este ano, lançar uma função que bloqueia cookies de terceiros (em geral anunciantes) no Firefox. Desde 2010, o Internet Explorer inclui a opção de “Do Not Track”, para sites não rastrearem sua navegação em determinado site, nem fornecerem anúncios personalizados. O Safari bloqueia cookies de terceiros desde 2003.

O Google confirmou ao WSJ que planeja reinventar o cookie: a empresa “considera mudar para um sistema que cria o seu próprio identificador anônimo”, mas ainda não há um lançamento previsto. [USA Today e WSJ]