Nesta quinta-feira (25), uma reportagem do New York Times descreveu com detalhes excruciantes a liberdade dada a um dos ex-garotos de ouro do Google, Andy Rubin, mais conhecido como o “pai do Android”, após uma investigação sobre má conduta sexual. Uma declaração vazia do atual CEO, Sundar Pichai, não nega qualquer detalhe da história.

• Mulheres de minorias étnicas sofrem uma quantidade assustadora de assédios na astronomia

O conhecimento do relacionamento ilícito de Rubin com uma subordinada foi descoberto no ano passado por meio da The Information. A resposta específica do Google — um pacote generoso de US$ 90 milhões pagos em quatro anos, segundo fontes que conversaram com o Times –, por outro lado, é nova e causa indignação. O Times informa que o conselho do Google já havia concedido a Rubin US$ 150 milhões em ações em 2014, poucas semanas depois de a empresa ter iniciado sua investigação sobre o relacionamento com a mulher, que havia feito uma reclamação.

Em um e-mail enviado à equipe e aos repórteres — reproduzido na íntegra abaixo — Pichai e a vice-presidente de recursos humanos Eileen Naughton afirmam que no Google “analisam cada reclamação sobre assédio sexual ou conduta inadequada, investigamos e tomamos medidas”. Em um lembrete não muito animador, eles observam que “nos últimos dois anos, 48 pessoas foram demitidas por assédio sexual, incluindo 13 que eram gerentes seniores ou superiores. Nenhum desses indivíduos recebeu uma indenização por sua saída”. Mesmo que o Rubin seja considerado um valor atípico por essas métricas, é bastante discrepante.

Fontes que falaram com o Times afirmam que “vídeos de servidão sexual” foram descobertos no computador de trabalho de Rubin — e o testemunho de sua ex-mulher incluído em uma ação civil deixa clara a tendência dos vários casos extraconjugais que ele iniciou. O Times escreve:

[…] ela alegou ter várias “relações de propriedade” com outras mulheres durante o casamento, pagando centenas de milhares de dólares a elas. …

O processo incluía uma captura de tela de um e-mail de agosto de 2015 que o Sr. Rubin enviou a uma mulher. “Você vai ser feliz sendo cuidada”, escreveu ele. “Ser possuído é como se você fosse minha propriedade, e eu posso te emprestar para outras pessoas.”

A investigação do Google sobre a conduta de Rubin começou por causa de uma mulher da divisão Android que disse estar sendo pressionada por seu chefe a fazer sexo oral. Ela finalmente relatou o incidente à divisão de Recursos Humanos da empresa, e seu depoimento foi considerado confiável.

Entramos em contato com o Rubin para comentar. A declaração do Google está abaixo:

Olá a todos,

A história de hoje no New York Times foi difícil de ler.

Estamos decididos a garantir que fornecemos um local de trabalho seguro e inclusivo. Queremos garantir que analisamos todas as queixas sobre assédio sexual ou conduta inadequada, investigamos e agimos.

Nos últimos anos, fizemos uma série de mudanças, incluindo uma linha cada vez mais rígida na conduta inadequada de pessoas em posições de autoridade: nos últimos dois anos, 48 pessoas foram demitidas por assédio sexual, incluindo 13 que eram gerentes seniores e cargos superiores. Nenhum desses indivíduos recebeu qualquer indenização por sua saída.

Em 2015, lançamos o Respect@ e nosso Relatório Anual de Investigações Internas para fornecer transparência sobre esses tipos de casos no Google. Como sabemos que denunciar assédio pode ser traumático, fornecemos canais confidenciais para compartilhar qualquer comportamento inadequado que você tenha ou veja. Apoiamos e respeitamos aqueles que se manifestaram. Você pode encontrar muitas maneiras de fazer isso no go/saysomething. Você pode fazer um relatório anonimamente, se desejar.

Também atualizamos nossa política para exigir que todos os vice-presidentes e vice-presidentes sêniores divulguem qualquer relacionamento com um colega de trabalho, independentemente da linha de denúncia ou da presença de conflito.

Temos o compromisso de garantir que o Google seja um local de trabalho em que você possa se sentir seguro para fazer seu melhor trabalho e onde haja sérias consequências para quem se comportar de maneira inadequada.

Sundar e Eileen

Em sua conta no Twitter, Rubin se manifestou sobre a matéria do New York Times:

Tradução: A matéria do New York times contém várias imprecisões sobre minha passagem pelo Google e grandes exageros sobre as quantias recebidas. Especificamente, eu nunca coagi uma mulher a manter relações sexuais em um quarto de hotel. Essas alegações falsas são parte de uma campanha de difamação para me atingir durante um divórcio e uma disputa nos tribunais. Além disso, estou profundamente perturbado com o fato de que executivos anônimos do Google estão comentando sobre minha vida pessoal e deturpando os fatos.

Imagem do topo: Paul Sakuma (AP)