Em 2010, descobriram que carros do Google Street View, além de fazer fotos em alta resolução, estavam coletando dados de redes Wi-Fi abertas. Na época, a empresa foi alvo de processos por violação de privacidade e chegaram a dizer que teria sido um dos “maiores casos de grampo” já ocorridos. O caso teve fim na última sexta-feira (19), com o Google tendo de pegar uma merreca para resolver a situação.

De acordo com a Bloomberg, ficou definido que o Google teria de pagar US$ 13 milhões para encerrar as ações contra a empresa. O valor representa um sexto do que a Alphabet (subsidiária do Google) gera por dia, o que não deve fazer nem cócegas na companhia. O dinheiro vai ser direcionado para grupos que advogam pela privacidade dos usuários.

Os advogados do caso argumentaram que seria impossível identificar as pessoas afetadas e que havia o risco de não sem conseguirem nenhuma compensação financeira pela infração de privacidade.

Este caso sobre as informações obtidas pelo Google teve vários capítulos. Apesar de ter sido revelado apenas em 2010, a companhia estava coletando “acidentalmente” informações de redes abertas desde 2007. Ao todo, a companhia admitiu ter obtido 600 GB de fragmentos de dados de redes Wi-Fi. O “erro” foi causado por causa de um código experimental que foi mantido nos sistemas dos carros. À época, o Google pediu desculpas pelo incidente e informou que não usou essas informações em produtos da empresa.

O Google argumentou em 2013 que não havia infringido regras, dizendo que interceptar redes Wi-Fi abertas equivaliam a transmissões de rádio AM/FM. A corte de apelação dos EUA em San Francisco não comprou a ideia e ainda disse que se a empresa fosse enquadrada na lei federal Wiretap Act, a companhia poderia ter de pagar US$ 10 mil por cada violação.

Não foi o que ocorreu, e o Google acabou se livrando de ter de pagar uma multa gigantesca por violação de privacidade. A Bloomberg nota que um dos desafios neste tipo de caso é provar os danos sofridos por consumidores e que eles têm direitos legais a compensação. Os US$ 13 milhões pagos pelo Google estão em linha com o que o Facebook já pagou por questões relacionadas à questões de privacidade.

[Bloomberg]