A polêmica política de privacidade unificada do Google que diz respeito a todos os serviços da empresa, incluindo o Google Drive, deixou brecha para uma interpretação de que os direitos do conteúdo hospedado no serviço pudessem ser, de alguma forma, transferidos ou compartilhados entre usuários e o próprio Google. O assunto é importante e, por isso mesmo, merece esclarecimentos — dessa vez com as declarações da empresa.

Conversamos hoje cedo com a assessoria do Google no Brasil, que garantiu: os arquivos hospedados no Google Drive são dos usuários, apenas dos usuários. O Google aponta para um trecho da política unificada que assegura isso:

“Alguns de nossos Serviços permitem que você envie conteúdo. Você mantém a propriedade de quaisquer direitos de propriedade intelectual que você detenha sobre aquele conteúdo. Em resumo, aquilo que pertence a você, permanece com você.”

Questionado sobre a parte subsequente a esse trecho, que traz o licenciamento e cessão de direitos, O Google diz que isso é para uso interno, dentro dos serviços, e que de forma alguma a o Google tomará para si uma obra artística ou literária ou de qualquer espécie para reclamar a propriedade ou faturar em cima dela ou ainda expô-la sem uma ação expressa do usuário. Seria o caso, por exemplo, de fazer uma conversão de arquivo no Docs ou gerar miniaturas, mover arquivos entre servidores, guardá-los em cache, criar cópias de backup etc. Ações de bastidores necessárias para a boa prestação dos serviços.

Outro ponto polêmico da política é o que concede direito ao Google de “comunicar, publicar, executar e exibir publicamente e distribuir tal conteúdo”. O The Next Web acha que isso é uma permissão para que os usuários acessem seus usuários de computadores públicos, como os de bibliotecas e lan houses; a nosso ver, porém, trata-se de algo que recai em outros serviços que não o Drive; eis, pois, o problema de uma política de privacidade que alcança cerca de 70 serviços. No caso, isso deve dizer respeito a sites como o YouTube, onde a publicidade é inerente ao seu funcionamento.

O YouTube é diferente do Google Drive que também é diferente do Gmail e da busca e do Reader e do Google+… É difícil ser específico e abrangente ao mesmo tempo, coisa que a política de privacidade unificada tenta. Ela cai no problema da abstração, o que nos leva à confusão. Os termos vagos, achamos, não visam enganar os usuários, mas sim abrigar todos os serviços de forma harmoniosa. É um risco, mas reiteramos o que já foi dito no outro post: não achamos, mesmo, que o Google fará qualquer coisa para manchar sua reputação nessa e em outras áreas. Como o Verge disse em seu comparativo, “contratos são significativos e importantes, mas mesmo a  mais nobre promessa pode ser facilmente quebrada.” Para além do que o juridiquês dúbio dos termos de uso dizem, e isso não diminui a sua importância, é no histórico, na reputação das empresas que reside seu maior trunfo nessa fase de transição para a nuvem. Se o do Google é suficiente para ganhar a sua confiança, ótimo.