Um juiz distrital da Califórnia, nos EUA, declarou que o Google pode ser processado por coletar dados de usuários mesmo quando eles usam a navegação anônima em seus navegadores. O processo em questão é uma ação coletiva movida por três pessoas — Chasom Brown, Maria Nguyen e William Byatt — que usaram o recurso no Chrome e no Safari, o navegador da Apple, nos últimos anos. Eles afirmam que o Google rastreia e coleta o histórico de navegação do consumidor e outros dados de atividade na web “não importa quais proteções” sejam implementadas.

No caso Brown vs. Google, a proteção específica mencionada é o modo de navegação anônima do Chrome, com a alegação de que a companhia ainda consegue rastrear usuários nesta condição, usando Google Analytics, Google Ad Manager, o app do Google em dispositivos móveis e o botão de login do Google para websites.

As ferramentas Google Analytics e Ad Manager são ferramentas comuns de análise de tráfego e anúncios para sites que fornecem informações sobre seus visitantes, como dados demográficos e a frequência das visitas, o que ajuda no gerenciamento de campanhas. Inclusive, o processo alega que mais de 70% dos sites usam o Google Analytics.

“Por meio de seu negócio de rastreamento de dados difundido, o Google sabe quem são seus amigos, quais são seus hobbies, o que você gosta de comer, que filmes você assiste, onde e quando você gosta de fazer compras, quais são seus destinos de férias favoritos, qual é sua cor favorita e até mesmo as coisas mais íntimas e potencialmente embaraçosas sobre sua navegação na internet — independentemente de você seguir o conselho do Google de manter suas atividades ‘privadas’”, afirmaram os advogados dos usuários.

Na sexta-feira (12), a juíza distrital Lucy Koh negou a moção do Google para rejeitar a ação coletiva. A empresa argumentou que o caso foi baseado em uma “má leitura intencional” de suas declarações sobre navegação privada e que usar tal recurso do Chrome não significa que eles são “invisíveis”. A empresa alegou que sua política de privacidade, com a qual os reclamantes consentiram, divulgava que dados de usuários eram coletados durante a navegação. Entretanto, Koh afirmou que o Google não havia demonstrado como os usuários que fizeram a reclamação consentiram com a coleta de dados no modo navegação privada.

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“Nem a Política de Privacidade nem qualquer outro meio de divulgação apontado pelo Google afirma que a empresa se envolve na suposta coleta de dados enquanto os usuários estão no modo navegação privada”, escreveu Koh. “Ao contrário, as divulgações do Google apresentam a navegação privada como uma forma de os usuários gerenciarem sua privacidade e omitem o Google da lista de entidades para as quais a atividade de navegação privada de um usuário pode ser visível.”

O Google também afirmou que os sites que os usuários visitaram lhe deram consentimento para receber dados sobre os indivíduos, incorporando o código de produtos como o Google Analytics e o Google Ad Manager. Koh mais uma vez derrubou o argumento. “O Google não demonstra que os sites consentiram, ou mesmo sabiam, da interceptação de suas comunicações com usuários que estavam no modo de navegação privada”, disse Koh.

O Gizmodo entrou em contato com o Google para comentar, mas não recebeu resposta. Em uma resposta ao The Verge no sábado (13), a empresa disse que contestava as reivindicações do processo e acrescentou que se defenderia vigorosamente contra eles. Um porta-voz do Google, José Castañeda, disse ao site que o modo anônimo do Chrome dá aos usuários a opção de navegar na Internet sem que suas atividades sejam salvas em seus navegadores ou dispositivos. “Como declaramos, claramente cada vez que você abre uma nova guia anônima, os sites podem coletar informações sobre sua atividade de navegação durante a sessão”, disse Castañeda.

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O caso é um bem interessante de acompanhar tendo em vista que o Google, assim como outros grandes gigantes da tecnologia, está sob crescente escrutínio por ser um grande coletor de dados. Embora o Google tenha anunciado que eliminará os cookies de rastreamento de terceiros no Chrome e não criará identificadores alternativos para rastrear pessoas, ele planeja criar ferramentas de “preservação da privacidade” para segmentação de anúncios. Essencialmente, ele ainda estará rastreando usuários usando dados agregados.

No entanto, esta nova ação coletiva afirma que “não importa o que” os usuários façam, a empresa poderá obter informações sobre eles por meio de seus vários produtos. Eles identificam o que todos nós já sabemos: o Google está em todas as partes da web, coletando dados silenciosamente sobre tudo o que você faz e onde quer que você vá. Agora, o sistema judicial terá que determinar se isso é realmente legal.